Há mais de dois anos que a população portuguesa vive lado a lado com políticos, economistas, juristas, historiadores, jornalistas e comentadores falaciosos que, todos os dias, nos mais variados órgãos de comunicação social, nos tentam ludibriar com soluções aparentemente milagrosas que, a serem seguidas, no imediato acabariam com todos os problemas que assolam a pátria.  Com um perverso entusiasmo, afirmam que o rumo deveria ser o oposto ao que está ser seguido,  que as medidas adoptadas são impopulares e que, como os governantes no activo são vaiados por todo lado, deixam de gozar de legitimidade para prosseguir nos cargos executivos.
No passado dia 14 de Dezembro, o socialista Medeiros Ferreira, num debate na SIC Noticias, afirmou, sem qualquer espécie de salvaguarda, que a crise que Portugal enfrentou em 1983, que provocou o segundo recurso ao FMI, foi resolvida de uma forma muitos mais democrática e suave com a desvalorização do Escudo. Consequências: desde logo, a questão imoral que é a introdução de um imposto encapotado chamado inflacção, a redução real dos salários, a extrema dificuldade de importar produtos básicos como Petróleo e Cereais, a distorção no sistema de preços, os sinais errados que se dão aos investidores e o roubo, uma vez mais encapotado, com que se brinda os detentores de dívida pública nacional, são aspectos que, dada a omissão, constituem, para personalidades como Medeiros Ferreira, danos colaterais não muito relevantes. O mais extraordinário, juntando à prosápia, foi a inexistência de contraponto por parte dos restantes membros do painel. Felizmente que a presença de Portugal na zona euro não deixa espaço para a acção dos inflacionistas que, através de sucessivas desvalorizações cambiais, iludem o povo, quando, no fundo, lhes estão a retirar poder de compra.
Na sequência da entrevista dada pelo primeiro-ministro na passada semana à TVI,  Teresa de Sousa publicou um artigo sobre o assunto no jornal Público. Segundo a jornalista, uma das falhas do chefe do executivo, no decorrer da entrevista, foi o pouco optimismo com que abordou a tímida retoma da economia e a diminuição da taxa de desemprego. Mas será que, não obstante os muitos e graves erros cometidos, ainda não foi possível enxergar que, exceptuando o senhor vice-primeiro-ministro e o seu relógio que conta os dias que faltam para a saída da troika,  este não é o governo que empola os sinais positivos e que não pretende dar a entender que os problemas estão resolvidos quando ainda muito caminho falta percorrer?

Pedro Castello Branco

 

Comentários

comentários