Está a chegar ao fim mais um ano civil. Como todos têm sido nas últimas duas décadas, 2013 foi bastante recheado de acontecimentos marcantes em todo o globo. Porém, como quase sempre acontece, os EUA são palco privilegiado para as peças mais mediáticas. No plano político, durante o ano, não foram poucos os factos ocorridos. Logo em Janeiro os Estados Unidos assistiram à tomada de posse de Barack Obama para o segundo mandato à frente do governo americano.
Depois de nos primeiros quatro anos haver falhado em quase tudo a que se tinha proposto, o ex-senador do Illinois reforçou as promessas feitas em 2008 e juntou outras tantas que permanecem sem resultados práticos. Na verdade, a tão polémica lei que alarga os cuidados se saúde aos cidadãos americanos que se encontravam fora do sistema, foi o único ponto assinalável, apesar de o funcionamento estar, desde a entrada em vigor, a ser alvo de duras criticas por parte de todos os quadrantes. Falhas informáticas e de gestão das bases de dados são, segundo os críticos, os pontos passiveis de avaliação negativa.
A relação com o poder legislativo tão pouco viveu dias felizes. Após a ocorrência de mais massacres com armas de fogo em diversos locais públicos, Obama fez uma verdadeira fuga para a frente para, logo depois do tiro de partida, ver-se obrigado a recuar. Acreditou que podia, recorrendo-se apenas da retórica, fazer passar uma lei que restringisse o acesso a armas por parte da população. Porém, não alcançou a maioria dos votos e a lei foi chumbada do Congresso.
No que toca à economia, apareceram alguns resultados animadores no crescimento e na criação de emprego. Contudo, nunca é de mais frisar, que desde há muito que a Reserva Federal injecta, mensalmente, a quantia de 85 mil milhões de Dólares na economia. A prazo, como demonstra a história económica, os EUA irão enfrentar uma elevada inflação nos preços, bem como o surgimento de bolhas especulativas que tantos danos já causaram. Ao contrário do que gosta de apregoar a elite intelectual europeia, não é o mercado a entidade responsável por este tipo de crises, mas sim a capitalismo de estado formado pela aliança entre os governos e os bancos centrais.
A política externa também não passou sem sobressaltos para a Administração Obama. Edward Snowden, antigo funcionário da National Security Agency, divulgou milhões de escutas telefónicas feitas por essa instituição a um sem número de líderes políticos por todo o mundo. Não sendo propriamente uma novidade que os governos se espiam mutuamente, não deixou de causar surpresa que muitos dos alvos das escutas foram os, supostamente, aliados europeus.
Muito se apregoou a tragédia Bush, espera-se que, daqui em diante, Barack Obama seja olhado com os mesmos olhos. Sem facciosismos nem cegueiras ideológicas.
Pedro Castello Branco

 

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