Finalizando o ano de 2013, um importante facto a nível mundial veio, de novo, mostrar fragilidades no mundo dos “serviços de intelligence”.

Edward Joseph Snowden, ex-analista de informações da mais importante agência dos EUA – a National Security Agency – sediada na Virginia, veio tornar público, com temporização e destinos cadenciados, pormenores confidenciais sobre programas de vigilância electrónica (SIGINT, e possivelmente MASINT), em acções conjuntas dos Governos dos EUA e do Reino Unido, colocando em causa a segurança nacional e as relações diplomáticas entre vários países.

Pela primeira vez, utilizando os Media como fonte aberta, foram tornadas públicas informações tidas como confidenciais ou “top secret”. De facto, a divulgação pública da forma como são conseguidas as informações indicadas, sendo as mesmas captadas, gravadas, escutadas e analisadas (seguindo o normal “intelligence cycle”), mesmo tratando-se de simples conversas normais, mas proferidas por figuras públicas, entre as quais Governantes e decisores de todo o Mundo, veio pôr em causa relações económicas e políticas ao mais alto-nível.

A actuação de Edward Snowden veio obrigar ao pedido de asilo político em vários países, alguns com relações menos vinculativas com os EUA, como é o caso da Venezuela ou Rússia. Apesar de alguns países já terem acordado na sua extradição, a sua localização – por razões compreensíveis – não é conhecida. A atuação de Snowden poderá ser parecida com o caso “Wikileaks”, cuja difusão de milhares de documentos classificados causou enormes problemas, tendo o mesmo sido indicado para Prémio Nobel da Paz e os seus feitos considerados “heróicos” e resultantes de elevados sacrifícios pessoais.

As Informações de Segurança são determinantes no posicionamento e tomada de decisões geopolíticas e geoestratégicas. Podemos questionar a razão pela qual a mais importante estrutura a nível mundial ter concedido a um “simples analista” o acesso a material colocado em patamares de importância superior. Será que a actuação de Snowden aconteceu exactamente da forma como foi dada a conhecer ao Mundo, ou, trata-se de uma pura acção de desinformação, estando o ex-agente a ser usado para a tomada de outras decisões subliminares a nível mundial.

Desde Roma Antiga ou de D. João II, as Informações de Segurança sempre foram uma “área pantanosa”, onde os agentes trabalham no “limite da legalidade”, mas, apenas nesta altura, com a globalização e livre capacidade de acesso à Media a nível mundial, algumas informações são tornadas públicas, obrigando ao abandono do “secretismo” necessário.

Prof. Doutor Pedro Simões
Investigador em Segurança e Criminologia UICCC

 

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