“Os mitos não deveriam partir…”. Esta foi, em público, a primeira reacção de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, quando confrontado com a morte de Eusébio. No fundo, este é um mito que nunca partirá, pelo menos enquanto houver, no mundo, uma única alma que goste de futebol. É verdade. Em termos físicos, Eusébio já não está entre nós. Mas, e desde ainda muitos antes do fatídico dia 5 de Janeiro de 2014, que o Pantera Negra era muito mais que um mero ex-jogador de futebol.

Eusébio, que abandonou os relvados há quase 40 anos, é como um Estado de Espírito que atravessou, e continuará a atravessar, gerações de amantes do Desporto Rei. Muitas palavras já foram ditas, diversas imagens foram passadas nas televisões e inúmeras linhas foram escritas. Porém, nunca será demais recordar que dos milhares de pessoas que passaram no Estádio da Luz nos dias 5 e 6 de Janeiro, a grande maioria nunca viu Eusébio jogar. É neste ponto que reside o segredo do mito. Por norma, uma figura mitológica pousa numa linha intemporal, sendo irrelevante o tempo e o espaço em que pontificou.

Pela minha parte, que ainda nem era nascido quando Eusébio pendurou as botas, vem-me há memória o dia 1 de Dezembro de 1992. Como forma de celebrar os 50 anos do seu maior representante, o Sport Lisboa e Benfica organizou, no antigo Estádio da Luz, aquele que ficou, apesar de não se tratar de nenhum jogo oficial, um dos dias mais marcantes da história do clube. Eu, criança de 7 anos, acompanhado pelo meu pai (máximo responsável pelo meu amor à causa), tive a oportunidade de assistir, in loco, a dois magníficos jogos de futebol. Em primeiro lugar subiu ao relvado uma equipa de velhas glórias do Benfica, capitaneada por Eusébio, para defrontar uma selecção do resto do mundo integrada por estrelas como Camacho, Bobby Charlton, Milla e Kempes. Para o fim de festa, estava guardado um empolgante desafio entre o Benfica e o Manchester United.

Não deixa de ser irónico que, no decorrer das festividades, Eusébio da Silva Ferreira tenha sido condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, que agora resolveu reduzi-lo à figura de “ pouco instruido “. Há 21 anos atrás classificou-o como “o maior embaixador de Portugal no mundo”.

Pedro Castello Branco

 

Comentários

comentários