Desde que o actual governo tomou posse, em Junho de 2011, foram várias as críticas que lhe foram dirigidas. É um acontecimento natural e saudável numa democracia. Usualmente, quando existem diferentes orientações ideológicas, as partes tendem a confrontar-se e a apresentar as propostas que consideram mais benéficas para a gestão dos destinos do país. Porém, esta legislatura fica marcada por uma originalidade: por vezes, fica a sensação, que os maiores inimigos do executivo, alguns dos quais oriundos da mesma área política, ainda não tomaram consciência das causas da crise e apenas empolam as incontornáveis consequências. Como ainda não encontraram uma verdadeira alternativa, devidamente sustentada, para apresentar aos eleitores e contribuintes, resta-lhes apenas surfar a onda da contestação popular e proclamar banalidades que nada acrescentam ao debate das ideias. Uma delas, muito em voga, prende-se com a suposta falta de experiência política dos governantes. Afirmam, em sentido figurado, que há poucos Cabelos Brancos nas cabeças dos ministros e secretários de Estado.

Quanto ao primeiro-ministro, dizem que se trata de um ex-jota que, segundo os críticos, se formou tardiamente numa universidade privada sem credênciais. No fundo, quando analisam a biografia de Passos Coelho, não vislumbram qualquer tipo de experiência laboral à parte dos empregos que a política lhe terá propiciado. Concluem que a passagem pelo aparelho partidário, durante a década de 90, o colocou refém de clientelas.

Por outro lado, alguns ministros (alguns já ex-ministros), o que lhes sobra em pregaminhos académicos, é inversamente proporcional à alegada carência de estaleca política. A título de exemplo, Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira, não obstante ostentarem doutoramentos feitos em academias que dispensam apresentações, aparentavam um profundo desconhecimento do país real por nunca terem participado em nenhum seita politico-partidária. Já o ministro da Saúde, Paulo Macedo, pensa que pode dirigir a pasta como se de uma empresa privada se tratasse, provavelmente por ter desempenhado, de forma brilhante, um cargo superior no maior banco privado português.

personalidades_vice_primeiro_ministro_paulo_portas_02-660x330Paulo Portas: ora aqui está um politico com vivência e conhecimento, que é, de acordo com as personalidades que atacam os restantes, o único que sabe mover-se nas teias do poder. O facto de, o mesmo Portas, ter protagonizado, em Julho do ano passado, o maior e mais grave incidente politico dos últimos anos não constitui qualquer embaraço. Aliás, na decorrência dessa crise na coligação, uma das resoluções encontradas foi chamar um Dinossauro da política, de nome Rui Machete, que ainda mal tinha pousado no Palácio das Necessidades e, socorrendo-se da vasta experiência adquirida nos últimos quarenta anos, colocou Portugal num incidente diplomatico com Angola que ainda não obteve resolução.

Pedro Castello Branco

 

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