Segundo as previsões divulgadas pelo governo, nomeadamente pelos responsáveis das pastas económicas, o novo Banco de Fomento, participado pelo Estado a 100 %, estará ao dispor do tecido empresarial português durante este primeiro semestre de 2014.

Recuperando declarações prestadas por Álvaro Santos Pereira em Bruxelas, em meados de Junho de 2013, portanto uns dias antes de “ o que tem que ser tem muita força…” de Paulo Portas o ter apeado de ministro da economia, Santos Pereira afirmou que  “ a instituição financeira entrará em vigor depois de alguns procedimentos de ordem técnica serem ultrapassados, sendo que para tal tem contado com a  assessoria do Banco de Fomento alemão KFW “. Banco esse, participado pelo Estado Federal alemão e pelos Lander, que terá sido fundamental no desenvolvimento da RFA no pós-guerra, através de injeção de fundos provenientes do Plano Marshall, e que, a partir da reunificação de 1990, serviu como principal canalizador de verbas para a Alemanha de Leste. O que os estatistas de serviço, bem como os empresários com ligação ao poder político não revelam, é a enorme embrulhada em que o KFW se viu envolvido com a transferência de mais de 300 milhões de euros (suportado pelos contribuintes alemães) para o falido Lehman Brothers.

Dando uma vista de olhos pelos estatutos do futuro Banco de Fomento, ficamos a saber que, uma vez concedido uma crédito a uma qualquer PME, o Estado poderá entrar no capital da empresa e deliberar sobre as opções estratégicas a serem tomadas. Não se tratando de uma nacionalização gonçalvista, ficamo-nos pela  interferência do poder político numa entidade privada que, numa real economia aberta, deveria viver do mercado e para o mercado.

Quando, daqui por uns anos, todos vierem a lamentar o falhanço do Banco de Fomento, protestar contra a necessidade de recapitalização com dinheiro dos contribuintes, indignar-se com a ocupação de lugares de relevo por parte dos apparatchiks partidários e questionar-se sobre o paradeiro da democratização da economia portuguesa, não faltarão vozes a culpar o liberalismo económico e a clamar por maior regulação estatal.

Pedro Castello Branco

 

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