A Suíça fechou as portas aos imigrantes. Através de um referendo popular, os suiços demarcaram a sua vontade. Enquanto isso, a América de Obama abre-as com uma nova lei. Esta é uma representação teórica já que a realidade é “ligeiramente” diferente. Por um lado, a lei da imigração nos Estados Unidos tem sido um grande “totem” à volta do qual todos os políticos têm dançado nos últimos anos, mas, por outro, todos eles procuram empurrar com a barriga qualquer alteração séria, levando a que não venha a estar em cima da mesa do Congresso, pelo menos até 2015.

Mas, desta vez, o Presidente Obama está isento, são uma vez mais os republicanos que querem adiar a reforma considerando que, a mesma, suscita dúvidas e divisões. Eles sabem que ao travar a discussão desta lei teriam que marcar uma posição. Ou seriam permissivos, e seriam criticados e condenados pelo eleitorado mais conservador, ou conservadores e iriam contra as espectativas dos latino americanos, que são cada mais numerosos nos EUA e, consequentemente, muito relevantes a nível eleitoral.

Por sua vez, os democratas, liberais, defendem uma mudança de direção politica, no que se refere à lei da imigração, propõem fronteiras mais abertas e regras flexíveis, na estrita medida de reconquistar um eleitorado imigrante que, de certa forma, está desiludido com a actuação de Obama. Mas, ao que parece, não passará de boas intenções para agradar já que, qualquer acção a ser tomada, apenas o será após as eleições “de meio mandato”, em Novembro. São os políticos no seu melhor: fazem promessas antes de eleições sabendo que dificilmente as vão concretizar.

A mini-reforma de Obama propunha mesmo permitir que os estrangeiros, que tivessem tido contactos “limitados” com organizações terroristas, não fossem descartados automaticamente, caso pedissem asilo político na América. O que não significa que seriam automaticamente aceites ao pedirem asilo, é claro, mas a proposta foi suficiente para desencadear protestos por parte daqueles que julgam que este caminho é um risco muito grande para a segurança nacional. Talvez com razão, mas, de qualquer forma, trata-se de um “grupinho” de três mil pessoas, ao todo, e não de uma massa populacional capaz de mudar o vento migratório da América.

Este será, provavelmente, um dos projectos mais ambiciosos do segundo mandato de Obama, o qual, não esqueçamos, foi eleito maioritariamente por cidadãos imigrantes e cujo apoio, que já foi de 85%, desceu, agora, para 55%. Mas a verdade é que, nem mesmo Obama se mostra inconsolável com este eterno adiamento o qual parece encaixar bem no modus operandi de Washington. Mais, na tentativa de honrar as suas promessas de usar o seu poder executivo, nos casos em que o Congresso não chegasse a um acordo, (relembremos as palavras do próprio: “Eu tenho uma caneta e um telefone, e vou usá-los!”), aprovou um regulamento, que não passa de pura cosmética e cujo impacto é semelhante ao de uma aspirina num paciente em estado terminal.

Os republicanos insistem que não vão apoiar propostas que criem um caminho especial para milhões de pessoas, mais precisamente 11 milhões, que residem ilegalmente no país, para obterem cidadania americana. John Boehner, Republicano e Presidente da Câmara dos Representantes, já veio afirmar que a Câmara não vai aprovar um texto tão abrangente como o que tinha sido aprovada pelo Senado, que inclui, além do fortalecimento da segurança na fronteira com o México, o aumento de vistos e uma via para uma eventual legalização de milhões de imigrantes. No entanto, diz que aprovará uma série de medidas individuais. Segundo Boehner, de facto, a melhor escolha é “passo a passo”. Em resposta e num sinal de boa-fé, Obama deixou de insistir na aprovação da versão do senado, admitindo que aceitaria a versão da Câmara desde que, a mesma, fosse completamente implementada.

Para além dos slogans e das boas intenções de reforma ficam os factos. O presidente pediu mais restrições nas fronteiras do que qualquer outro inquilino da Casa Branca. Ele já ultrapassou os dois milhões de vistos rejeitados de George W. Bush e mais do que duplicou o milhão de Bill Clinton.

“É melhor deixar tudo como está, por mais um tempo”, como sussurram as más línguas em Washington.

Ana Sousa

 

 

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