Não basta dizer que queremos paz, para tê-la. O Presidente venezuelano Nicolas Maduro “ecumenicamente”, anunciou um dia de diálogo com os parceiros sociais, mas o país continua a ser abalado por protestos. Há dois dias atrás, foram para as ruas milhares de mulheres vestidas de branco para exigir o fim da violência contra os opositores do governo pós-Chávez liderado por Maduro.

Mas os confrontos e a violência continuam, principalmente em San Cristobal e San Antonio, no estado de Táchira, onde, a 12 de fevereiro, explodiram os primeiros protestos anti-governamentais. A “raiva” saiu à rua pela primeira vez quando os alunos do campus da universidade de San Cristobal se manifestaram contra o presidente, denunciando a violência e estupros, consequência dos efeitos trágicos do aumento exponencial da criminalidade no país que há alguns meses atrás enterrou Hugo Chávez, o herói do “socialismo ou muerte”.

Um povo com fome é um povo chateado. Quando olhamos para as imagens que saltam à vista nas redes sociais, Maracay, e outras cidades da Venezuela, parecem saídas de um episódio de “The Walking Dead”, quando os sobreviventes dos zombies saqueiam os supermercados tentando encontrar algo apenas para comer.
Prateleiras vazias, caixas abertas e atiradas ao chão, congeladores partidos e meio esventrados. Cenas de devastação que se tornaram a imagem da Venezuela sempre na ordem do dia. Os manifestantes denunciam a violência do governo e Maduro faz de bom polícia, convidando a imprensa “amiga” ao Palácio Miraflores, enquanto Caracas continua a arder.

Mas, enquanto o presidente continua a afirmar que quer punir as forças da ordem que são culpadas pela violência contra os manifestantes, Alberto Carias, mais conhecido como El Chino, líder dos Tupamaros, a organização armada Chavista feita de ex-condenados e de pequenos infractores, pensa de forma diferente. “Se a democracia venezuelana, como a conhecemos desde 2002 (ano da chegada ao poder de Hugo Chávez) é afectada por um golpe de Estado, como presidente do MRTA digo que nós vamos pegar nas nossas armas e colocar os nossos bonés”.
Dito e feito. Os terríveis homens encapuzados do El Chino agora acompanham regularmente a Guardia Nacional Bolivariana, com suas metralhadoras e as suas espingardas. Para eles “lutar pela democracia” significa reprimir com sangue e violência os manifestantes que se encontram nas praças e nas ruas, em nome e em memória de um fantasma, o de Hugo Chávez, que os tirou para fora das prisões do país, os armou e os mimou. Agora, eles são os guardiões do regime de Maduro, que ajudam a Venezuela a ruinosamente escorregar para o abismo da guerra civil.

Ana Sousa

 

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