Depois de décadas de ausência, o Japão decidiu olhar para África. Na conferência internacional, que se realizou no início do verão de 2013, em Yokohama, na qual estiveram representadas delegações de mais de 50 países africanos, Tóquio afirmou que estava pronto para investir e estabelecer ajuda. A conferência, que desde 1993 é realizada a cada cinco anos no Japão, é organizada conjuntamente com a ONU, o Banco Mundial e, no ano passado, pela primeira vez, com a União Africana.

O primeiro-ministro Japonês afirmou, perante a grande plateia, que o Japão precisa de fortalecer os seus laços com a África porque, e segundo o próprio: “por volta da metade do século XXI, a África será, sem dúvida, o centro do desenvolvimento e, por isso, se não se investir agora, quando será? Seguramente que quanto mais cedo melhor”.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, reforçou toda esta ideia, afirmando que o crescimento é na África de hoje, e que o investimento deve ser feito agora. E, para que isto ficasse bem entendido, Shinzo Abe, prometeu investir mais de 10 mil milhões de euros em ajudas ao investimento público num período de 5 anos.

As ajudas, segundo o primeiro-ministro japonês, incluem empréstimos para a construção de infra-estruturas e um programa de formação para jovens africanos, mil dos quais terão a oportunidade de estudar e trabalhar em universidades e empresas japonesas. O desenvolvimento dos recursos humanos, a promoção do sector agrícola e o suporte para uma cobertura da saúde mais abrangente, será crucial para a promoção do crescimento do continente Africano, e, segundo parece, será também uma prioridade para o primeiro-ministro Japonês, que parece querer seguir uma estrada diferente da dos outros países que investem em África, nomeadamente, a China.

Shinzo Abe parece compreender que o que faz verdadeiramente falta em África são: o investimento privado e a colaboração entre o sector público e o privado. Entre as ajudas públicas e os fundos privados, o chamado “Plano de Ação”, ou seja, o montante total atribuído para apoiar o crescimento Africano em 2018, rondará os 24.2 mil milhões de dólares!!!
O primeiro-ministro Japonês sabe que o sector privado é o motor vital para o crescimento do continente e, como tal, prometeu promover e incentivar o investimento deste sector.
Para além das ajudas directas às entidades públicas Africanas, Abe relembrou, também, que, sendo o seu país a terceira maior economia do mundo, irá libertar verbas para um fundo, a constituir, que garanta empréstimos destinados a projectos de desenvolvimento em que empresas japonesas estejam envolvidas.

Por outro lado, o Japão aposta na exportação da sua tecnologia para o continente Africano, o qual é carente de quase tudo, nomeadamente, redes de energia, transportes e saneamento básico. Além disso, o Japão quer conquistar terreno e, para isso, vai ter que “lutar” com a China que já controla, no continente Africano, um volume de negócios cinco vezes maior que Tóquio e, no que diz respeito a investimentos directos, oito vezes superior.

No seu discurso, o primeiro-ministro japonês lançou uma “pedrinha” a Pequim explicando que a abordagem do Japão era diferente, que visava criar “uma verdadeira parceria com África”. Na verdade, os países africanos têm agradecido repetidamente a Pequim pelos seus investimentos o que tem permitido, nos últimos anos, a construção de infra-estruturas e, de algum modo, contribuir para o crescimento do Continente.
Ainda segundo o primeiro-ministro japonês, o velho modelo existente entre os países doadores e os países beneficiários deve ser derrubado e escolher-se um novo caminho que preserve a “propriedade Africana” e que conduza a verdadeiras “parcerias internacionais”.

O Japão é uma referência entre os dadores internacionais para o desenvolvimento Africano. Ainda em 2014 vai atribuir 100 mil milhões de ienes, qualquer coisa como 770 milhões de euros, para a segurança da região do Sahel, desestabilizada pela guerra no Mali.
Tóquio havia já oferecido 90 milhões de euros para a referida região em janeiro do ano passado, após o ataque de um comando islâmico a uma base petrolífera no sul da Argélia, onde foram mortos 10 japoneses. Além do Sahel, o primeiro-ministro japonês, renovou o seu apoio à estabilidade da Somália, um factor importante para a “prosperidade da África Oriental e decisivo para a resolução da pirataria marítima contribuindo, assim, para uma maior estabilidade numa das principais rotas mercantes do mundo, a ligação entre o Oceano Índico, o mar vermelho e o Mediterrâneo. O centro nervoso do comércio marítimo entre os continentes Asiático, Africano e Europeu.

Não nos esqueçamos que, o Japão, havia já, em 2011, iniciado a construção, em Djibouti, da sua primeira base militar, em solo estrangeiro, desde a guerra, cujo objectivo seria defender a costa da pirataria.
Para um país que há pouco mais de 70 anos controlava um império que se estendia desde a Coreia à Indonésia, da Birmânia às Filipinas, instalar uma base militar em solo africano foi um passo que causou, certamente, vários arrepios a Pequim.

Ana Sousa

 

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