Os Serviços de Informações de todo o Mundo têm por função, a recolha, análise e distribuição de informações tidas como necessárias para prevenir acções criminosas e terroristas e/ou defender interesses tidos como importantes para o Estado.

Todos os Estados democráticos possuem serviços de informações com valências e missões idênticas, que até cooperam institucionalmente para o bem global. Por vezes, a manutenção da estabilidade da vida do cidadão comum, acontece devido à actuação dos serviços de informações, cuja actuação a montante preveniu o acontecimento de determinada acção criminosa. Quem executa estas acções são funcionários públicos, dotados de missões de recolha e análise de informações (intelligence).

Com as alterações patentes nas evoluções tecnológicas por todo o Mundo, acrescido à rapidez de acesso e intercepção de dados e ao valor necessário para a manutenção das operações executadas por humanos, há quem questione sobre a manutenção operacional destes HUMINT (agentes de informações), remetendo ao resultado global dessas acções apenas a máquinas.

Os tempos são de mudança. TECINT, COMINT e SIGNINT – formas paralelas de recolha e informações, mas através de equipamentos técnicos ou eletrónicos, podem, em certos casos, ser substituídos pelo elemento humano, mas a análise dessa mesma informação terá sempre de ser executada pelo homem. Numa altura em que o Mundo se defronta com alterações nos orçamentos dos serviços do Estado, cada vez mais se tem de encontrar soluções, o mais económicas possível, desde que não se ponham em causa os princípios que ministram a actuação dos serviços de informações, em relação à forma e recolha de informações para prevenção de eventuais acções criminosas.

A verdade é que existem casos específicos de vigilância e contra-vigilância e mesmo de contra-espionagem, que podem não ser totalmente executados pelo homem. Muitas áreas mostram que podem ser melhor resolvidas pela inteligência artificial, como é o caso do “clouding” e do micro-processadores em baixa velocidade, entre outras invenções.

A utilização dos “drones”, aviões tele-comandados, dirigidos a milhares de quilómetros de distância e que podem avançar com acções antes realizadas por humanos, é um exemplo de minimização de eventuais baixas e mesmo redução de custos, mas o resultado final poderá não ser exactamente o esperado em certos casos.

Dessa forma, apesar das alterações na sociedade em que vivemos, a tecnologia nunca substituíra o homem. A ideia de actuação de HUMINT (típico 007) nunca desaparecerá, mas trabalhará em conjugação com outras fontes técnicas.

Prof. Doutor Pedro Simões
Investigador em Segurança e Criminologia UICCC

 

 

Comentários

comentários