A 20 de maio de 2002, o mundo via nascer o primeiro País livre do Séc XXI, a ONU celebrava um êxito em missões de paz, coisa rara no seu historial, Portugal fechava com chave de ouro mais uma página da sua história, 25 anos após ter, por força dessa mesma história, abandonado o País irmão, Timor-Leste afirmava-se, então, totalmente independente. Uma década depois, com a Indonésia no G20 e a vizinha Austrália como parceira no negócio do petróleo, Timor-Leste entra numa era decisiva da sua curta vivência democrática: a preparação da transição das lideranças políticas com uma legitimidade revolucionária (Xanana, Ruak, entre outros) para uma nova geração política que cresceu na independência.

Recentemente o Primeiro Ministro, Xanana Gusmão, ciente e consciente desta viragem afirmou à Lusa que “vai sair até 2015. Para passar e transferir as competências e a capacidade de pensar à nova geração”. Segundo Xanana Gusmão, há uma nova geração que quer assumir responsabilidade e há outros que precisam de ter responsabilidades para terem confiança e tomarem decisões. Para o futuro, Xanana Gusmão afirmou que não vai estar a “dormir” e que juntamente com o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, vão ajudar na captação de investimentos para o país.

Para que esta segunda década seja como todos desejam, é preciso uma governação estável, uma reforma prudente do sector da segurança, a redução maciça da pobreza, uma maior aposta na saúde e educação, coesão social e o incremento da iniciativa privada capaz de criar um ambiente empresarial com condições de estruturar uma classe média timorense.

E Xanana estará consciente, também, da dimensão deste desafio e atento ao futuro de Timor que mantém como preocupação ao afirmar, no inicio deste mês, no Centro de Convenções de DÍli, que “a nova geração para governar o país e mostrar o quanto vale não pode ser preguiçosa e egoísta”. Xanana sabe que o seu País, ainda juvenil, tem muita juventude “mas que estes ainda não têm uma boa mentalidade para levar o país e o povo para a frente.”

“Hoje temos muitos mestrados, mas o problema deles é que são preguiçosos, o problema deles é o egoísmo”, disse na ocasião Xanana prometendo que antes de resignar vai fazer debates com os intelectuais, principalmente com a nova geração para trocarem ideias em todas as áreas pertinentes para desenvolverem o país.

Xanana sabe bem que Timor-Leste é um caso de sucesso no histórico de falhanços das missões da ONU. Tem bem presente que apesar dos momentos de violência, uma Constituição foi aprovada, conduziram-se eleições representativas, há investimento estrangeiro, regime fiscal atractivo e um potencial turístico enorme. Tem riqueza energética, está geograficamente bem colocado, tem uma ponte com a lusofonia e a Europa e está a caminho de entrar na ASEAN. O resto que falta já não é muito. O resto é controlar a inflação, os níveis de pobreza e mortalidade infantil, construir infraestruturas, melhorar a mobilidade, acautelar o impacto da alta natalidade na economia e educação, tornar a economia sustentável, em resumo, tornar o País mais e melhor desenvolvido. Para isso, Xanana quer contar com a nova geração. Resta, também, que a nova geração queira dar resposta positiva a Xanana. Timor e os timorenses merecem esse esforço e exemplo de lição ao Mundo. E Portugal? Portugal, mais uma vez, deve contribuir para uma boa solução até porque além da amizade fraterna que nos liga como irmãos, se queremos pontes com a Ásia, Timor é a mais importante!

Fernando Figueiredo

 

 

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