Mais de duas semanas depois do súbito desaparecimento, foi conhecido o paradeiro do fatídico voo 370 da Malaysia Airlines, que causou a morte dos seus 227 passageiros, oriundos de 14 nacionalidades, e 12 tripulantes: Oceano Índico.

O Boeing 777-200ER, que saiu do Aeroporto de Kuala Lampur com destino a Pequim, mudou a rota programada, as comunicações foram desligadas e o Mundo ficou sem saber o seu paradeiro durante longo período de tempo. Não havia registo de qualquer problema mecânico, com aquele aparelho, nem sequer está em causa a experiência de mais de 15000 horas de voo do comandante, que até possuía em casa um simulador deste modelo de aeronave.

Os passageiros eram oriundos de vários países, liderados pela China com 154. Todos receberam “luz verde”, por parte dos serviços de emigração, para seguirem viagem. Apenas 4 passageiros faltaram ao embarque.

Conhecendo pessoalmente o Aeroporto de Kuala Lampur – bem equipado a nível técnico e humano -; tendo feito, no ano passado, quase a mesma rota que deveria ser utilizada por este voo, e de a Malásia ter interesse em ser um dos 20 maiores países do Mundo, a segurança aeroportuária foi posta em causa com a utilização de passaportes falsos, por parte de dois passageiros de etnia iraniana, Pouri Nourmohammadi, 18 anos, e Delavar Seyed Mohammad Reza, de 29 anos. Apesar destes homens não serem considerados terroristas, utilizaram esses documentos roubados para conseguir entrar na Alemanha. A Interpol, não conseguiu apurar se esses documentos foram utilizados em ocasiões anteriores, mas o Aeroporto da capital malaia assegura ter cumprido todos os pressupostos inscritos internacionalmente.

Durante todo este tempo, mais de 26 países, dezenas de navios e aviões, centenas de efectivos, a que se juntaram milhares de civis, que via internet, participaram num dos maiores esforços transnacionais para obtenção de pistas para a descoberta do seu paradeiro.

Foi a primeira vez em que foram utilizadas informações civis e militares, oriundas de vários países, tendo por base um objectivo único: Encontrar o voo MH 370.

Foram recolhidas e analisadas informações várias oriundas de diversos satélites de nacionalidades diferentes, desde a França à China. Não há memória de tão grande junção de esforços, oriundos de tantos países, de diferentes similitudes e crenças, na obtenção de um resultado comum.

Durante as últimas semanas, com as famílias dos passageiros a reclamar falta de notícias concretas sobre os seus entes queridos, cada vez era maior o “puzzle” a resolver, e, dia-após-dia, multiplicavam-se acções de recolha e análise informações; distribuição de notícias cuja origem e destino podiam ser postas em causa, uma vez que em jogo estão países e interesse pontuais diferentes, a que se juntava acções de contra-informação e acima de tudo casos de falta de informação, cujo resultado dava origem a um conjunto diverso de opiniões, oriundo de diferentes fontes, sem capacidade de obtenção de validação.

Os jornalistas, tendo por base a falta de fontes, apenas podiam transmitir as notícias que lhes faziam chegar pelas autoridades, também estas com baixo nível de confirmação.

Também o Governo malaio, não geriu da melhor forma esta crise internacional. A falta de cumprimento daquilo que se ensina de forma básica nos cursos superiores de comunicação social e estratégia, em relação a casos de gestão de crise, poderiam ter minimizado o resultado negativo, e ajudado os familiares no aumento da esperança.

Apesar dos pilotos nunca terem indicado qualquer problema, não se conhecem as causas do acidente, as caixas negras poderão nunca ser encontradas, e, provavelmente, nunca se saberá se a causa foi mecânica ou se tratou de um atentado terrorista.

 

Prof. Doutor Pedro Simões

Investigador em Segurança e Criminologia ISMAI/UICCC

 

Comentários

comentários