Um relatório do Governo Alemão põe em causa a livre circulação, dentro da Europa.
Dois ministros alemães estão em vias de fazer uma proposta que nós, portugueses, não iremos gostar. A proposta centra-se no tema da imigração e trabalho, as duas questões que estarão em observação nas próximas eleições europeias. O facto, é que o ministro alemão da Administração Interna, Thomas de Maizière, da CDU, e o Ministro do Trabalho, Andrea Nahles, do SPD, já não estão muito convencidos de quererem que outros europeus procurem trabalho na Alemanha. Naturalmente que este tipo de comportamento põe em causa um dos principais pilares da União Europeia.
No relatório apresentado esta semana, os ministros em causa, sugerem que as pessoas que chegam ao país à procura de emprego, mas que tenham poucas possibilidades de encontrá-lo e que não tenham meios para se sustentar, possam ficar na Alemanha apenas por um curto período de tempo, o suficiente para que se diga que lhes foi dada a oportunidade, nada mais. O relatório distingue, cuidadosamente, aqueles que têm uma “possibilidade razoável de encontrar trabalho” daqueles que são mais desfavorecidos, ou seja, dos que, por mais tempo que lá estejam, irão servir, única e exclusivamente, para mais um peso no erário público. Mas a controvérsia do dossiê do governo alemão põe em causa um princípio fundamental, assinado e rectificado também pela Alemanha, em 1985, o qual trata do princípio da livre circulação em espaço da CE. Este é, realmente, o ponto de discórdia com os restantes membros, ou pelo menos com aqueles que ainda acreditam na verdadeira essência do espaço Schengen.
Mas Alemanha não está só nesta cruzada. O Primeiro-ministro britânico, David Cameron, também tem sido criticado por se manifestar contra a abertura das fronteiras à Europa Oriental.
Tudo isto só vem confirmar as afirmações que o Ministro da Administração Interna Grego, Yannis Michelakis, fez, recentemente, na cimeira do Comité das Regiões da União Europeia, em Atenas, e que assentaram, essencialmente, no facto da imigração ser, agora, uma questão europeia. No passado, era apenas um problema que parecia cair sempre sobre os ombros da Grécia, Itália, Malta e Espanha. Agora, com a crise na Ucrânia e a livre circulação dos cidadãos da Europa de Leste, os países do Norte começaram, também, a preocupar-se com a imigração.
Na verdade, a imigração é um problema de toda a Europa e não apenas dos países meridionais do sul, como aconteceu até há bem pouco tempo, e, como tal, é necessário que também os países que se encontram no centro e Norte da Europa, se preocupem e o saibam tratar, ou então seremos obrigados a admitir o fracasso daquilo que outrora nos foi vendido como a salvação europeia, a qual dá pelo nome de EU.

Ana Sousa

 

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