Se nada for feito para se inverter o actual cenário no recenseamento eleitoral com vista às eleições de Outubro próximo, corre-se o risco de se manchar todo o processo. De acordo com dados anunciados pelas autoridades eleitorais, os níveis de adesão são de tal forma baixos que ainda não se atingiu a fasquia dos 50%, faltando menos de 30 dias para o término do recenseamento. Por outro lado, há zonas onde ainda não começou o recenseamento eleitoral devido ao actual clima de tensão político-militar.

Acreditamos que para a mudança do actual cenário, para além da habitual mobilização dos eleitores, há que se terminar, de uma vez por todas, com os confrontos militares. É que, enquanto perdurarem os tiros, a descrença do eleitor é de tal sorte que chega a motivar o seu actual alheamento ao processo de recenseamento em curso.

Há que se dar sinal de confiança aos cidadãos e isso passa pela cessação dos confrontos militares. Aliás, tomando em conta os entendimentos já alcançados em sede do diálogo entre o Governo e a Renamo, já não se justificam os confrontos armados, a não ser que o que está sendo acordado não passa do papel.

Afinal, agora ainda se luta porquê e para quê? De que adianta hoje alguém recensear-se e amanhã aparecer alvejado? Sinceramente falando, queremos necessariamente que as duas delegações comecem a aparecer publicamente, não só a apelar para que as pessoas adiram ao recenseamento, mas também a garantirem aos cidadãos que a guerra acabou.

O tempo é escasso e o pouco que ainda resta deve ser devidamente aproveitado para que salvemos o processo eleitoral. Não podemos aceitar regredir em relação aos passos que já foram dados em Moçambique, desde 1994, com as primeiras eleições gerais.

Não podemos, seja em que circunstâncias forem, aceitar sermos ultrapassados pela história. Já passámos por situações de horrores piores que não interessa a ninguém recuar para voltar a viver tais aventuras. Paremos com a guerra, já. Ou então, a história não nos perdoará!

José Jeco

 

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