O problema começou quando, na recente reunião do Comité Central do partido Frelimo, foi eleito candidato presidencial, daquele partido, Filipe Nyusi. Porque, sejam quais forem as qualidades e/ou defeitos de Nyusi, ele é desconhecido pela esmagadora maioria dos eleitores.

E o presidente do partido percebeu, desde logo, que tinha até Outubro para projectar a imagem do seu candidato para todo o país. Ora, isso sai muito caro e exige uma complicada máquina organizativa.

Tudo a sair dos cofres e dos quadros do partido. Mas, rapidamente, surgiu a solução para o problema: Nas suas presidências abertas, o Chefe de Estado percorre praticamente todo o país, de uma ponta à outra. Nada melhor, do que agregar Nyusi à comitiva presidencial.

Para além de ser visto, ao vivo, nos comícios presidenciais, tinha garantida a cobertura informativa dos jornalistas que acompanham a presidência. Uma ideia brilhante, portanto. Só que com um pequeno aspecto negativo: Ser contrária à legislação do país. Não vou descrever as leis pois outros já o fizeram de forma convincente.

Não farei ao Presidente da República a injustiça de afirmar que ele não se apercebeu desse choque, dos seus actos, com a legalidade. Apercebeu-se, sem dúvida, mas se prossegue na mesma atitude é porque tem medo que pode vir a acontecer em Outubro.

Com o novo pacote legal eleitoral vai ser muito mais difícil fazer as fraudes do costume no período da votação e contagem dos votos. Se a isso juntarmos um candidato desconhecido dos eleitores, os resultados podem ser desastrosos para o chamado “partido ganhador”.

Por outro lado, o Chefe de Estado sabe que ninguém o vai impedir de fazer o que está a fazer. O Procurador-geral da República foi por ele nomeado e não vai levantar a questão. Por tudo isto iremos continuar a assistir a este desfile eleiçoeiro, aberto e inclusivo, de uma ponta à outra do país.

Para nos tentarem impor um novo Presidente da República que poderá ser uma excelente pessoa, mas é desconhecido do eleitorado. Contra as leis e à custa dos nossos impostos.

José Jeco

 

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