A Nigéria ocupou o lugar da Africa do Sul, sendo agora a primeira economia do continente, mas o pesadelo dos Jihadistas Boko Haram, poderá, caso não seja travado, despedaçar o seu sonho.
Mas, e segundo o Presidente Nigeriano, Joanathan Good Luck, que carrega um apelido de grande esperança, tudo será resolvido o mais depressa possível, com punho de ferro contra o terrorismo que, só este ano, já fez mais de 1500 vítimas. Good luck proferiu estas palavras não só com o intuito de informar o seu povo mas, também e sobretudo, com o objectivo de tranquilizar os investidores estrangeiros, uma vez que este país é agora aquele que detém a economia mais rica e que parece correr, de forma desenfreada, face a todos os outros, no continente africano

A Nigéria é hoje uma terra de violência e de milhões. Os terroristas de Boko Haram contabilizaram mais um ataque, há dois dias, desta vez numa estação de autocarros, na capital Abuja, num bairro habitado por cristãos e muçulmanos. Fala-se de mais de setenta mortos e, posteriormente, foram também dados como “desaparecidos” mais de 100 estudantes da escola Chibok, agora no norte do país. A polícia suspeita que os autores sejam os próprios fundamentalistas islâmicos, filiados na organização terrorista fundada em 2002, que visa impor a sharia (lei islâmica) no país.BokoHaram

Mas a Nigéria não apresenta apenas o rosto do terror, como imagem internacional. Poucas horas antes do ataque em Abuja, os principais jornais financeiros do mundo anunciavam que a Nigéria tinha superado o PIB da África do Sul. Em 2014, o PIB nigeriano será de 510 mil milhões de dólares, tornando o país na primeira economia Africana com uma muito desejada integração no novo clube MINT (México, Indonésia, Nigéria e Turquia), batizado pelo economista Jim O’Neill, o mesmo que, em 2001 levou para as primeiras páginas de economia mundiais os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Se, por um lado, o presidente Goodluck quer acabar com o flagelo endêmico do terrorismo, do lado oposto está o governo que pressiona para que seja feita a aproximação ao G20, empurrando, assim, a África do Sul para fora do grupo e tentando, ao mesmo tempo, atrair novos investimentos estrangeiros.
Como curiosidade mas ponto de honra para os nigerianos, o negro mais rico do mundo nasceu em Lagos, Nigéria, e chama-se Aliko Dangote. Segundo a revista Forbes, Dangote conta com uma fortuna pessoal de 25 bilhões de dólares e é, actualmente, o 24 homem mais rico do planeta. Facto que em Abuja é saudado como um sinal do céu.

Aliko Dangote é o dono da terceira maior refinaria de cana-de-açúcar do planeta. Produz farinha, arroz e até mesmo massas e noodles que vende, depois, no mercado Africano. O seu desporto favorito, nos últimos dez anos, tem sido abrir fábricas em todo o continente, utilizando mão-de-obra local. E todos nós sabemos que África, para além de ser a última fronteira dos investimentos económicos do futuro, é, também, uma mina de ouro de força de trabalho, com previsões de crescimento populacional que fazem estremecer a Europa, empalada por uma taxa de natalidade que está praticamente no zero.

O grupo Dangote lançou-se, também, na indústria petroquímica e de fertilizantes e o magnata pretende agora saltar para o mercado da energia e do petróleo, o ouro negro de que a Nigéria é rica. Em suma, se, por um lado, uma parte de Abuja treme cada vez que enfrenta o terror dos terroristas, por outro a qualidade de vida da população poderá vir a ter uma melhoria significativa, considerando que a pobreza continua a ser uma praga, apesar de o rendimento médio, per capita, ser de cerca de 2.600 dólares e a maioria dos 168 milhões de nigerianos ter dificuldade em fazer uma refeição por dia.

Mas o PIB está a crescer, ou melhor, galopa, e o governo em Abuja tem intenção de levar consigo toda a África numa mão, transportando o Continente para o horizonte de uma nova prosperidade económica. Mas com os terroristas em casa e com uma série de outras questões críticas sobre a mesa, nomeadamente ligadas à falta de infra-estruturas e ao fosso entre ricos e pobres, o desafio Nigeriano é mais que evidente. Para se juntar ao clube MINT foram suficientes os biliões de dólares produzidos nos últimos cinco anos, mas para ficar lá e conduzir África para um novo caminho, será uma longa e difícil empreitada mas pode ser que a recém deposta África do Sul ensine.

Ana Sousa

 

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