A luta contra a pobreza que se tem propalado repetidamente em Moçambique só será vencida com o trabalho abnegado e não doutra maneira. Apenas o trabalho é que garantirá a riqueza sustentável e nunca o ócio, pelo menos se considerarmos uma riqueza lícita.

Por exemplo, os recursos naturais de que tanto se fala nos dias de hoje, sempre estiveram em Moçambique, porém, não eram propalados porque ainda não se estava a trabalhar neles como hoje está a acontecer, por variadíssimas causas que não são chamadas para o presente editorial.

Só através do trabalho é que tais riquezas despontam nos dias que correm. As coisas acontecem não apenas por misericórdia de Deus, mas, sobretudo, com o trabalho e suor das pessoas. Tal como dizem os clérigos: é preciso ajudar a misericórdia de Deus para que as coisas aconteçam.

Deus faz a sua parte, todavia, os Homens devem fazer a sua! Abordamos este assunto a propósito das obras de manutenção dos pontões onde atracam os ferryboats na travessia entre Maputo- Catembe e vice-versa.

De acordo com a programação, as referidas obras vão obrigar a paralisação de travessia de viaturas nos dias 28, 29 e 30 de Abril corrente. Ou seja, nessa última semana do mês, de segunda-feira a quarta-feira, nenhuma viatura poderá fazer essa importante travessia para a vida económica e social da Catembe e Matutuíne.

Ora, sem menosprezarmos o importante trabalho a ser feito nessa empreitada, somos de opinião de que as obras programadas para esses dias, diga-se nobres, do meio da semana, poderiam ser passadas, pelo menos em dois desses três dias, para uma data que coincidisse com o fim-de-semana. Acreditamos que para a empresa operadora das embarcações, os fins-de-semana possam ser rentáveis, sobretudo devido ao acentuado movimento de pessoas e viaturas em turismo e lazer.

No entanto, julgamos que, do ponto de vista da população que mora na Catembe e Matutuíne, o meio da semana é período de trabalho e de tantos negócios ou afazeres. Para a economia local, paralisar a travessia de veículos no meio da semana é muito prejudicial, sobretudo neste momento em que a transitabilidade da principal via ligando Catembe a Matutuíne encontra-se caótica devido às últimas chuvas.

Presentemente, por exemplo, o único autocarro que vai até Kaelisa já não chega ao destino, regressa antes do terminal. Os chapas que fazem essa rota idem. Os que arriscam são os que vão para Bela- Vista, Salamanga e Ponta de Ouro.

Entretanto, já aumentaram as tarifas de passagens para quase o dobro do preço. A par dessas dificuldades todas, o custo de produtos nessas zonas já subiu. A vida está difícil nestes dias para as populações, de tal sorte que gostaríamos de apelar a quem de direito no sentido de rever a data prevista para a paralisação da travessia de veículos.

É que essa paralisação virá acrescer mais dificuldades às que neste momento afligem, e de que maneira, aos vários interesses na Catembe e Matutuíne. É um pedido humilde e sincero e ansiamos que as autoridades competentes nos venham acudir.

José Jeco

 

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