Em qualquer parte do Mundo, o pagamento de portagens, numa determinada estrada, significa que essa estrada é muito melhor do que a média, tem um óptimo piso e permite que o viajante possa transitar nela a uma velocidade rápida e com conforto.

Quer dizer…em todo o mundo excepto na estrada com portagem que liga Maputo a Nelspruit (não falo do resto porque há muito lá não passo). Nesta, dos dois lados da fronteira, o condutor tem que se munir de inexcedível paciência para enfrentar tudo o que o espera. Talvez o aspecto mais grave seja o facto de a estrada estar em obras de reparação em vários longos troços. Essas obras implicam, normalmente, a circulação apenas numa das faixas, embora nos dois sentidos, enquanto a outra faixa é reparada.

E isso significa a paragem do trânsito, por vezes mais de meia hora, num dos sentidos, enquanto se escoa o outro sentido. Se se tiver o azar de apanhar a paragem, em todos os troços em obras, pode-se perder entre uma hora e meia a duas horas, só com essa brincadeira. Mesmo se apanharmos a passagem aberta, normalmente circula-se em comboio, por vezes à ridícula velocidade de 10 ou 20 quilómetros por hora. Mas este aspecto está longe de ser o único incómodo para o viajante. Longos quilómetros, do lado moçambicano, estão completamente esburacados, sem que se veja nenhum esforço de manutenção.

Provavelmente estão à espera de que essas zonas sejam também alvo de reabilitação em grande escala e, portanto, não se dão ao trabalho de ir reparando o que já é uma enorme dor de cabeça para quem vai nos carros e fonte de avarias para os próprios veículos. Se somarmos a isso o engarrafamento sistemático na portagem de Maputo, quer num sentido, quer no outro, só vamos agravar ainda mais o que já é insuportavelmente mau.

Por fim, e aí a culpa não é da empresa concessionária, temos o gigantesco crescimento da frota de grandes camiões cargueiros do minério de ferro sul-africano. São, neste momento, já muitas centenas de camiões de grande tonelagem, que circulam, dia e noite, todos os dias da semana, por aquela estrada, dificultando imenso o tráfico.

Em outras partes do mundo e mesmo em outras partes do nosso país, este tipo de transportes é feito por comboio, não por estrada. Só que, ao que me dizem, deixámos degradar de tal forma a nossa linha férrea que ninguém se arrisca a mandar carga por lá. E, apesar disto tudo, a empresa concessionária da estrada continua a exigir-nos o pagamento das portagens, como se tudo estivesse a correr de uma forma óptima.

Creio, portanto, que os Governos dos dois países deveriam exigir a suspensão do pagamento das portagens até a estrada estar, novamente, em condições óptimas de circulação. Isso seria, de resto, um estímulo para a empresa acelerar as obras e fazê-las com qualidade. Caso isso não aconteça, talvez seja de se começar a pensar num movimento cívico de boicote ao pagamento das portagens, como fizeram os sul-africanos com as auto-estradas de Gauteng.

Jose Jeco

 

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