A propaganda oficial passa o tempo a dizer-nos que a distribuição da riqueza não é dar dinheiro aos cidadãos mas sim construir escolas, estradas, hospitais e outros benefícios de que todos possam beneficiar. O que, em teoria, até pode ser verdade. Só que…

Só que, na prática, as coisas não se passam exactamente assim. Senão vejamos: As grandes empresas do carvão e do gás natural, por exemplo, produzem riqueza, que é vendida no mercado internacional, produzindo lucros. E, sobre esses lucros, pagam impostos ao nosso Estado. O mesmo se passa, de resto, com todas as outras actividades desenvolvidas no país.

Esses impostos são a tal riqueza que deve ser distribuída. A tal que servirá para construir as escolas, estradas e hospitais. O problema é que essa riqueza não vai ser usada apenas nessas coisas. Vai ser usada, também, em muitas outras que não beneficiam a população em geral, mas apenas pequenas minorias ou, até, individualidades singulares.

Quando, por exemplo, se aprovam mordomias escandalosas, como as que se prevêem para os Presidentes da República, em exercício e já depois de abandonarem o cargo, está-se a beneficiar uma ínfima minoria. Por exemplo, o atribuir-lhes, vitaliciamente, férias anuais de luxo, em qualquer parte do mundo, com direito a segurança e passagens aéreas, em primeira classe, para si e família, é uma parte importante da riqueza de todos a beneficiar muito poucos.

Quando se sabe que o Presidente do Tribunal Administrativo tem, atribuídas, cerca de 10 viaturas, vemos a tal riqueza, de todos, a beneficiar exageradamente, um só. Quando se constrói um novo palácio para a Presidência da República, no valor de muitas dezenas de milhões de dólares, quando já existia o palácio da Ponta Vermelha e o Gabinete de Trabalho, vemos a riqueza de todos a ser aproveitada por muito poucos.

Quando se compra um aviãozinho, de luxo, para as viagens, de muito poucos, serem feitas com maior comodidade, percebemos o que se quer dizer quando se fala de distribuição desigual da riqueza. Senão pensemos que tudo isso se passa num país onde, por exemplo, uma grande percentagem dos alunos estuda sentada no chão, por as escolas não terem carteiras.

Ou onde quase nunca há medicamentos nas farmácias dos hospitais. A desigual distribuição da riqueza começa na elaboração do Orçamento Geral do Estado e nas diferentes fatias dessa riqueza que são atribuídas às diferentes áreas da vida nacional. E, não tenhamos dúvidas, essa atribuição é muitíssimo desigual.

José Jeco

 

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