Com uma população de cerca de 1,2 milhões, metade da população adulta iletrada, um terço da população residente na capital Dili, o PIB per capita inferior a 1000 USD, uma pirâmide etária com uma média de idade de 22 anos, são, entre outros, ainda hoje ingredientes em Timor potenciadores de uma instabilidade social e económica sendo ainda evidente a necessidade de melhorias substanciais ao nível da saúde pública a par das infra-estruturas e saneamento básico.
O nível de qualidade dos serviços em saúde pública, o acesso a cuidados de saúde primários, o programa de vacinação e imunização são ainda pilares frágeis naquele território onde uma década depois da independência se notam em muitas áreas melhorias e mudanças significativas. A par do moderno espaço comercial já existente que dá nova vida à cidade de Dili os jornais locais ainda recentemente faziam manchete com a noticia de que em Março passado num fim de semana o Presidente da República, Taur Matan Ruak tendo por razões de saúde recorrido aos cuidados de urgência do Hospital Guido Valadares viu-se confrontado com o facto de não haver nenhum profissional ao serviço para o atender. Se ao Presidente tal acontece que será da população anónima e a pergunta em jeito de recado ao Governo e de preocupação com o actual estado de cuidados de saúde fez eco em muitas ruas e nas conversas dos timorenses e internacionais.
Ainda em estado de crescimento frágil tornam-se de difícil controlo e de fácil contágio doenças que através de programas de vacinação e medidas básicas de saúde pública e de higiene, programas educacionais de saúde, saneamento e acesso à rede de saúde primária seriam de fácil prevenção e até inexistentes. No caso de Timor -Leste, estas medidas básicas de saúde e indicadores de prevenção de doenças têm vindo a melhorar desde a independência e em especial desde o final da instabilidade dos anos de 2006/2007. No entanto, a fim de revigorar completamente este estado incipiente e colocar Timor Leste numa trajectória sustentável de crescimento, a continuação do apoio a instituições do Estado e a organizações privadas de cuidados de saúde deve ser reforçada e os programas de prevenção devem ser perseguidos de forma diligente.
As acções de educação públicas, sensibilização e promoção de campanhas de saúde como, por exemplo, o uso dos cintos de segurança, do capacete, do transporte de crianças, de higiene, dos cuidados na medicação continuam a ser de difícil aplicação porque o Português, o Bahasa, o Inglês, o Tétum e outras línguas indígenas são faladas em simultâneo com diferentes fluência por diferentes comunidades e esta diversidade linguística também é um desafio para a saúde pública, para as equipes do Ministério da Saúde que trabalham em todo o país e faz com que seja difícil uniformizar normas e serviços ao longo dos distritos.
É facto que poder e oposição procuram criar as condições necessárias para alcançar a estabilidade governativa, que o reconhecimento e a legitimidade da administração tem vindo a melhorar, a coesão social é hoje mais conseguida mas o nível de saúde pública e o perfil epidemiológico do país influencia ainda a situação de segurança e ainda é factor de descontentamento da população.
Xanana Gusmão a esse respeito, está ciente desse facto e a afirmação que “o Estado actual é apenas um presidente, o governo, a bandeira, o parlamento, mas sem nada que o ligue a vida diária das pessoas” é disso sinónimo. Xanana vai mais longe e lembra que Timor “foi construído sobre os cadáveres, em ossos, e é por isso que a obrigação do Estado é cuidar das pessoas. E Xanana também saberá que a aposta na Saúde significará mais turismo, mais empresas a investir em Timor e sobretudo mais qualidade de vida para os Timorenses.
Em democracias muito maiores, a crise mundial obriga a rever o cenário global sobre a política do serviço nacional de saúde mas há também e ainda países menores, como Timor Leste, que romperam as correntes do regime totalitário apenas nas últimas décadas e que sendo um Estado que tem mais anos na sua história do que hectares de terra, tem mostrado ao mundo o que a democracia e a vontade dos timorenses é realmente capaz de fazer. E melhorar a Saúde é apenas uma delas!

Fernando Figueiredo

 

 

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