O impasse continua, no momento em que escrevo, no Centro de Conferências Joaquim Chissano. E isso significa que, no terreno, as armas continuam a falar alto. E, como consequência disso, a seis dias do fim do recenseamento eleitoral, Afonso Dhlakama continua a não se sentir seguro para aparecer em público, o que compromete seriamente as suas possibilidades de vir a concorrer às próximas eleições presidenciais.

Por outro lado, há quem, na Renamo, defenda a necessidade da paridade nos órgãos de defesa e segurança como uma forma de evitar um possível golpe de estado, no caso de o partido Frelimo não ganhar as eleições de Outubro.

Ora, se Dhlakama não concorrer e a disputa ficar entre Filipe Nyusi e Daviz Simango, as possibilidades de vitória do dirigente do MDM não podem ser desprezadas. A popularidade do partido Frelimo e do seu actual dirigente, nunca foram tão baixas como agora. Filipe Nyusi é, claramente, um candidato fraco e pouco conhecido pelo eleitorado. Pelo contrário, o MDM está com uma dinâmica de vitórias, desde as últimas autárquicas.

A consolidar tudo isso temos o novo pacote legislativo eleitoral que vai dificultar muito a prática das fraudes a que o partido Frelimo nos vinha habituando. Em resumo, vamos partir do princípio que Daviz Simango e o MDM podem ganhar as eleições. O que poderá acontecer se isso se verificar? O nosso Estado confunde-se, totalmente, com o partido Frelimo.

Não há nenhum titular de um cargo de responsabilidade, desde o Presidente da República até ao mais obscuro Chefe do Posto Administrativo, que não seja membro do partido do batuque e da maçaroca. Nem um só, entre milhares.

E o mesmo se passa com as Forças de Defesa e Segurança, desde o Comandante em Chefe até aos oficiais menos graduados, com meia dúzia de excepções sem qualquer peso efectivo no comando das tropas e das forças policiais.

Como reagiria toda esta gigantesca máquina partidária à eleição de um Chefe de Estado oriundo de outro partido que não o seu? E, principalmente, como reagiriam as forças militares e policiais? Talvez seja esse o receio da Renamo, de um possível golpe de Estado. Mas será que a paridade chega para evitar esse risco? Não sei, não gosto que o nosso País esteja a atravessar um período que abra esse tipo de possibilidade.

José Jeco

 

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