Todo nós sabemos que o Luiz Felipe Scolari, o Felipão, é um técnico de competência duvidosa e que ficou rico quando passou a ser treinador de futebol. Começou a carreira no CSA, de Alagoas, após ter sido campeão como jogador, no ano anterior, e dirigiu outros clubes antes de chegar ao Palmeiras. Saiu do Rio Grande do Sul, apoiado pelos laticínios da Parmalat, e foi treinar o clube de São Paulo, que havia formado uma super equipe, na medida para qualquer técnico ser campeão de todas as competições que disputasse no país. Era um time recheado de craques contratados «a peso de ouro» por esta forte empresa leiteira.

Na segunda metade do período de parceria com a Parmalat e sob o comando de Scolari, o Palmeiras chegou a três conquistas inéditas: a Copa do Brasil e a Copa Mercosul, ambas de 1998, e a Copa Libertadores da América de 1999. Nestes três títulos, alguns dos destaques da equipe foram grandes jogadores do futebol brasileiro, como Arce, Alex, Cleber, Oséas, Paulo Nunes, Júnior, Euller, além de Zinho, Evair e César Sampaio, e dos goleiros Velloso e Marcos, este último que se transformou num dos maiores ídolos da história do Palmeiras. Era um time que era só jogar as camisas para cima e deixar que os craques faziam o resto, dentro e fora do campo.

Mais tarde, conseguiu o que queria. Se envolveu com dirigentes esportivos corruptos e, também, com empresários que «repartem» seus dividendos e lucros com treinadores que escalam ou convocam jogadores visando levar alguma vantagem numa transferência. Entre seus «novos amigos», estão Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona e ex-representante da Nike para o país. Os dois são investigados por corrupção no futebol, como o desvio de dinheiro para paraísos fiscais. Esta empresa de material esportivo patrocinava a seleção brasileira por ocasião do Mundial de 2002, na Coréia e Japão, quando Brasil sagrou-se pentacampeão do mundo em futebol.

A maioria dos jogadores em campo tinham contratos comerciais com o Nike. E esta foi a pior Copa do Mundo já disputada na história da prova. A classificação final foi Brasil em primeiro lugar, Alemanha em segundo (foi derrotada por 2 a 0 na final), em terceiro a Turquia e em quarto a Coreia do Sul. E quando os turcos eram conhecidos, no mundo do desporto, devido suas fortes equipes no Basquete, e os coreanos por serem fortes no voleibol e no hóquei no gelo, tanto no masculino como no feminino. Neste Mundial, grandes seleções decepcionaram, como França, Inglaterra, Argentina ou Itália. E pela primeira vez, numa Copa do Mundo, um goleiro foi eleito o melhor jogador da competição, o alemão Oliver Kahn, mesmo após ter falhado na final nos dois golos da vitória brasileira, marcados por Ronaldo Fenômeno.

E até que demoraram a descobrir a sonegação de imposto do atual treinador da seleção brasileira. Ele é daqueles que acham que é «bonito» ser mais esperto que os outros. Embora já tenha negado as acusações, as autoridades portuguesas confirmaram, nesta semana, que Luiz Felipe Scolari está sendo alvo de uma investigação criminal. A informação foi confirmada um dia depois de o jornal holandês «Het Financieele Dagblad» ter revelado documentos obtidos pelo site www.offshorealert.com, segundo os quais o Departamento de Investigação e Ação Penal de Portugal fez um pedido de assistência jurídica para os Estados Unidos para ajudar a apurar o caso envolvendo o ex-treinador da seleção, que é suspeito de evasão fiscal e lavagem de dinheiro no país europeu.

O treinador teria deixado de declarar 7,4 milhões de euros, entre 2003 e 2008, período em que comandou a equipe de Portugal. Segundo a denúncia, ele teria usado três empresas para burlar o Fisco. A suspeita é que o treinador utilizou a Flamboyant Sports CV, com sede na Holanda, para intermediar um contrato de imagem no valor de 200 mil euros com Nike. Ele também teria outros contratos com a empresa inglesa Chaterella Investors Ltd (CIL) e Taliston Financial, das Ilhas Virgens. Pelas leis locais, evasão fiscal e lavagem de dinheiro são crimes que podem render uma pena de 17 anos de prisão. Acho que isso não vai dar em nada.

José Roberto Tedesco

 

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