Há sensação de uma descriminação na abordagem da questão de reabilitação pós-cheias em Moçambique. Durante o tempo de cheias muito foi falado sobre os estragos acontecidos que se diga, foram tantos. Houve tanta destruição que, nos últimos tempos, o Governo tem estado envolvido num processo de reabilitação e reparação do que foi estragado pelas chuvas.

Há obras, aqui e acolá, o que é positivo. Acreditamos que para a execução dessas obras haja um fundo que o Governo fixou para esse efeito. Acreditamos também que, cada zona, à sua medida, tem a sua parte desse bolo para reabilitação e reparação do que foi estragado. É este nosso acreditar que nos deixa atónitos ao verificarmos que há uma zona do País, que também sofreu tal como as outras, mas que, no entanto, contrariamente a esses locais, nela, nada está sendo feito e tudo continua num mar de dificuldades muito sérias.

Estamos-nos referindo a Catembe e ao distrito de Matutuíne, zonas mais ao Sul de Moçambique. O maior quebra cabeça e que êxige uma intervenção urgente no tocante a reabilitação da principal estrada que permite ligação em todo o território distrital com os postos administrativos. A estrada, embora de terra batida, tal como as asfaltadas, precisa de reabilitação.

Já estava péssima, mas com as chuvas, a situação tornou-se mais complicada. De Catembe até Bela-Vista, o piso ficou tão irregular, com buracos e buracões à mistura, que não fica fácil a ninguém meter là a sua viatura. Depois de Salamanga, ao longo de Zitundo a caminho da Ponta de Ouro, o problema da mesma estrada é o areal que foi arrastado das dunas para a via.

Há muitos carros que ficam enterrados devido à areia nesse troço e quando isso acontece, obriga a enormes filas – já que ninguém se arrisca a ultrapassar a viatura encalhada, sob risco dele mesmo também ficar enterrado. É uma complicação que nos últimos dias até encareceu a vida. As tarifas de transporte subiram.

Os preços de bens essenciais subiram. Em suma, a vida está difícil por aquelas bandas. Este editorial não serve para criticar seja quem for, nem o que for, todavia, pretende alertar a quem de direito, o estado complicado em que se encontra sujeita a economia local, face a situação daquela estrada.

Apelamos para que também se dê a Catembe e Matutuíne o que se tem dado a outras zonas que também sofreram com as últimas cheias. As coisas, embora não noticiadas, não foram fáceis para aquela gente pacata que desde o passado sempre foi votada a uma espécie de isolamento.

José Jeco

 

Comentários

comentários