A situação atual do futebol brasileiro é a pior de toda a sua história. Posso falar com toda tranquilidade e com certeza que este é o seu pior momento. Clubes falidos, torcedores violentos e com dirigentes despreparados e corruptos. E este era o futuro já esperado pela maioria dos observadores especializados, devido ao caminho tortuoso que os homens do futebol trilharam. A situação demorou a se confirmar, mas não poderia mais ficar escondida. Na semana passada, o Luiz Felipe Scolari convocou os jogadores para a seleção de futebol do Brasil para a Copa do Mundo no país. E eu nunca havia assistido uma conferência para divulgar os nomes dos escolhidos com uma imprensa tão ingênua, isto por não querer afirmar que a maioria dos profissionais pareciam não estar preparados para estar ali. Pareciam seguradores de microfones.

Felipão entrou bonito e saiu muito risonho e parecia satisfeito porque ninguém lhe confrontou com a lista dos convocados. As perguntas eram mais que as mesmas. E as respostas do treinador eram ridículas, protegidas por uma assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que queria que tudo corresse sem problemas. Ou seja, «não incomodem o Felipão». O técnico se esqueceu que a unanimidade é burra, mas ele conseguiu o que queria: não ter aborrecimentos. E pelo que percebi, a Granja Cromari, em Teresópolis, vem mesmo a calhar para este tipo de trabalho. Horários controlados e pré-estipulados para o comparecimento dos jornalistas e o local cercado de seguranças ou policiais para dar «tranquilidade para o trabalho da comissão técnica e dos jogadores». Só falta colocar umas placas nos campos de treinamentos: «é proibido pisar na grama» (no relvado).

Em época de preparação da equipe para a Copa do Mundo, o treinador da seleção de futebol é a pessoa mais importante do Brasil. Mais interessante, para grande parte da comunicação social, que o próprio presidente da República, que fica em segundo plano. Então, como pode um técnico se aborrecer com a presença dos jornalistas? Se o treinador não quer se chatear, que vá dirigir uma equipe do interior do país e que esteja na segunda ou terceira divisão do futebol nacional. Ninguém vai entrevistá-lo e é ele quem vai ligar para as redações pedindo um espaço para falar ou noticiar sobre o seu trabalho. Eu sei que o Felipão tem consciência, que cada estado da União, manda dezenas de profissionais para fazer a cobertura da preparação da equipe ou dos jogos. Sempre foi assim.

Durante a conferência de imprensa, após a divulgação dos convocados, não vi nenhum jornalista confrontar o técnico por sonegar imposto em Portugal, quando foi treinador da seleção deste país Nem ouvi nenhuma pergunta porque o Kaká ou o Robinho ficaram de fora da lista. Nem observei comentários, porque se a seleção procurava um zagueiro central, de área, e que foi o último a ser escolhido, porque o Luizão, do Benfica, que fez uma exelente temporada e que foi chamado algumas vezes pelo treinador, não foi lembrado para este Mundial. Faltou conhecimento e competência aos profissionais de imprensa presentes na coletiva para fazer o Scolari suar um pouquinho para explicar suas escolhas. Esta é uma seleção com grandes jogadores que atuam em clubes e disputam importantes competições na Europa. Mas eu acompanhei várias outras grandes seleções do Brasil e que não conquistaram a Copa.

Pareciam equipes quase perfeitas, mas que voltaram mais cedo para casa. Isso devido a arrogância dos treinadores, que pareciam ser os donos da verdade e das equipes. Assisti e condenei alguns destes treinadores, que chamavam, de última hora, jogadores só para agradar os dirigentes da CBF e que acabaram desmantelando o time. Craques geniais, jogando pelos seus clubes, mas que quando vestiam a camisa verde-amarela da seleção, tremeram em campo. Também assisti jogadores veteranos que eram verdadeiros líderes e comandavam o time em campo e levaram a seleção brasileira a ser campeã do mundo. Uns cronistas defendem que estas grandes seleções perderam a competição por azar. Já em 2002, o Brasil venceu a Copa e com muita sorte. Por isso que o Felipão dirigiu a seleção de Portugal, onde não ganhou nada, e agora está na seleção brasileira. Por aconchavos e acordos com empresários, com dirigentes e com fabricantes de material desportivo. Quando muita grana entra em jogo.

José Roberto Tedesco

 

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