Pau que nasce torto morre torto. E no Brasil, assim como em todas as partes do mundo, os políticos que assumem o poder colocam as culpas dos problemas atuais no passado. Esta semana, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, deu como desculpa para o que está acontecendo com o Partido dos Trabalhadores (PT) no país: «é porque a corrupção já vem de longe» e só que ela era «colocada na gaveta» quando a nação ainda não era presidida pelo PT. Esta atitude imoral e sem ética dos políticos brasileiros já vem de longa data, sim senhor, só que foi aperfeiçoada pelos petistas, atuais governantes e que estão envolvidos com uma série de escândalos, crimes e assassinatos. E com muitos membros partidários condenados pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção e cumprindo pena no complexo presidiário da Papuda, em Brasília.

Inclusive o Gilberto de Carvalho, que vive sob a suspeição do envolvimento no assassinato, em 2002, do ex-prefeito da cidade paulista de Santo André, Celso Daniel, eleito pelo PT e terra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os envolvidos encontram-se criminosos comuns e políticos. Após o início das investigações, sete testemunhas morreram, todas em circunstâncias misteriosas. Os irmãos do ex-prefeito acusam Gilberto de Carvalho de participar num esquema de arrecadação de propinas no ABC paulista e afirmam que o atual secretário-geral da Presidência da República confessou para eles que tinha levado no seu Chevrolet Corsa preto uma mala com 1,2 milhões de reais (cerca de 396 mil euros) para o então presidente do PT, José Dirceu, hoje preso e condenado pelo envolvimento no caso do «Mensalão», ou compra de votos de parlamentares do país.

A polícia de São Paulo concluiu o inquérito sobre a morte de Celso Daniel no dia 1 de Abril de 2002. Segundo o relatório final, apresentado pelo delegado Armando de Oliveira Costa Filho, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, seis criminosos de uma quadrilha da favela Pantanal, da Zona Sul de São Paulo, cometeram o crime. Entre eles estava um menor de idade, que confessou ter sido o autor dos disparos que atingiram o prefeito. O inquérito policial concluiu que os criminosos seqüestraram Celso Daniel por engano, e que confundiram-no com uma outra pessoa, um comerciante cuja identidade nunca foi revelada e que seria o verdadeiro alvo do seqüestro.

A maioria dos parentes do prefeito assassinado acreditam na hipótese de crime político. Segundo o irmão de Celso Daniel, o oftalmologista João Francisco Daniel, o prefeito morreu porque detinha um dossiê sobre corrupção na prefeitura de Santo André. João alega que seu irmão Celso, quando prefeito de Santo André, sabia e era conivente de um esquema de corrupção na prefeitura, que servia para desviar dinheiro para o PT. Tal hipótese é questionada por petistas, uma vez que João Francisco, era filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e fazia oposição a seu irmão, com quem tinha rompido pessoal e politicamente.

O caso foi reaberto para investigações em 2005, por pedido dos promotores Roberto Wider Filho e Amaro José Tomé, do Ministério Público de Santo André. Por ordem do Secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, o caso foi encaminhado para a delegada Elisabete Sato, então titular do Distrito Policial, nos Jardins. Até hoje, a Justiça ainda não concluiu pela condenação dos envolvidos. E o poder judiciário poderá arquivar o processo como crime comum.

Após a morte de Celso Daniel, outras sete pessoas relacionadas com o caso foram assassinadas. Dois sequestradores e testemunhas, um investigador da Polícia Civil, o garçom que serviu Celso na noite do crime e a testemunha do assasinato dele, 20 dias depois, o agente funerário que reconheceu o corpo do prefeito jogado na estrada e que chamou a polícia, e o legista que atestou marcas de tortura no cadáver de Celso Daniel, que foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo. Todos executados a tiro. Crimes que nunca foram apurados ou explicados. Em Agosto de 2010, a promotora Eliana Vendramini, responsável pela investigação e denúncia que apura o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, sofreu um estranho acidente automobilístico em uma via expressa de São Paulo. O veículo blindado e conduzido pela promotora, capotou três vezes após ser repetidamente atingido por outro automóvel, que fugiu sem prestar socorro. Como costuma dizer Lula da Silva: «não sei de nada».

Em mais de 30 anos de convivência, iniciada na greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980, Gilberto Carvalho, o «Baixinho», estabeleceu uma relação de confiança com Lula, o «Véio», que vai muito além dos pronomes de tratamento. Carvalho é um dos companheiros históricos e colaboradores mais próximos do ex-presidente do Brasil. Como se isso não bastasse, é alguém que há mais de uma década tem acesso irrestrito ao gabinete da Presidência da República. É a própria personificação do poder.

José Roberto tedesco

 

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