Ninguém está mais acreditando nas pesquisas eleitorais para presidente da República no Brasil. Pelo menos, não estão confiando tanto como antigamente. Nem a Rede Globo de Televisão, que acostumou as pessoas, dentro dos seus noticiários, a dar o maior destaque aos resultados das pesquisas do IBOPE ­ Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Agora já não está mais «passando recibo». Deu o último resultado, na semana passada, sem a enfase costumeira. Apresentou apenas os índices de aprovação ou não do governo de Dilma Rousseff. A confiança popular caiu mais ainda depois de conhecer as cláusulas que foram publicadas, pela imprensa em geral, sobre os contratos assinados entre o Instituto e o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), e que eram mantidos em sigilo. Uma vergonha. O Palácio do Planalto firmou dois contratos avaliados em R$ 6,4 milhões (cerca de dois milhões e duzentos mil euros) para realizar pesquisas de opinião pública que se estenderão até as vésperas da campanha eleitoral de 2014. Foram celebrados com o Ibope Inteligência e Virtú Análise na sequência das manifestações de Junho, os contratos, que prevêem sigilo indefinido dos temas, perguntas e resultados das pesquisas, são os primeiros dessa natureza celebrados pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) na gestão Dilma, após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação. Quando ficou determinado que assim que uma informação é entregue à um órgão público, a notícia passa a ser pública. Portanto, todo cidadão tem direito ao acesso. Mas, leis para o PT, só as deles. A Secom informa que as pesquisas serão divulgadas três meses após o governo recebê-las.

Observem o acordo que o governo firmou com o IBOPE. Em sua cláusula segunda, inciso 10, os contratos dizem que os institutos de pesquisa deverão manter «irrestrito e total sigilo» sobre os «assuntos de interesse» do governo. O jornal «O Estado de São Paulo» solicitou o conteúdo, das pesquisas já realizadas, com base na Lei de Acesso. A Secom, no entanto, rejeitou o pedido. O sigilo contraria entendimento do próprio órgão federal responsável pela transparência, a Controladoria­Geral da União (CGU). Segundo o ouvidor­geral da União, José Eduardo Romão, todas as informações que constam das pesquisas deveriam ser divulgadas imediatamente e o sigilo contratual não afasta o princípio da divulgação e explicou: «A informação é pública, mesmo que o contrato estabeleça que a informação é sigilosa. A CGU já entendeu, em casos anteriores semelhantes, que esse sigilo não afasta a aplicação da Lei de Acesso à Informação. No momento em que a empresa repassa a informação para órgão público, essa informação torna-­se pública». Mais claro que isso é impossível.

Embora parte do eleitorado e mesmo os próprios políticos coloquem as pesquisas eleitorais sob suspeita, especialistas garantem que elas influenciam e podem até definir uma eleição. Isso porque, quando publicadas, os candidatos ganham visibilidade, já que o nome fica em evidência e pode direcionar o olhar do eleitor. Os marqueteiros políticos explicam que tanto os candidatos como os partidos que estão no governo acabam, pela exposição maior nos mídia, abrindo vantagem sobre os adversários, que têm que se manter em evidência por outros meios, como indo às ruas, usando as redes sociais ou aparecendo em eventos e lugares que chamem a atenção na imprensa para serem «lembrados» pelo povo.

Não pensem os brasileiros que existam políticos sérios no país. E estas eleições para a presidência da República no país é «briga de cachorro grande». Todos querem o poder a qualquer custo. Acima é a ação de quem domina o Brasil. Agora, observem o que fazem os dois reais candidatos para assumir o cargo político mais alto do país. Também estão a esconder números, segundo O «Estadão». O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pré candidato a presidente, foi questionado, via assessoria, sobre as pesquisas de opinião contratadas por sua gestão, os valores gastos e os temas abordados, mas não respondeu. Outro provável candidato, o senador Aécio Neves (PSDB­MG), também foi questionado, por meio da assessoria do PSDB, sobre o valor dos contratos de seu partido com institutos de pesquisa. Também não houve resposta.

José Roberto Tedesco

 

 

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