Era bom demais e sabíamos que um dia poderia acabar. Mas, o tempo que ele passou pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mostrou que no Brasil ainda existe gente de bem, de caráter e formação. Entusiasmou as pessoas de bem ao condenar e mandar para a cadeia políticos corruptos. A maioria deles fazendo parte do Partido dos Trabalhadores (PT), do grupo que governa o país há mais de dez anos. Basta querer e ter coragem para cumprir com o seu dever. Na semana passada, ele deixou milhares de pessoas entristecidas e desanimadas ao comunicar ao país que iria se aposentar no mês de Julho. Joaquim Barbosa foi muito importante para a Justiça durante o tempo que foi ministro e presidente da suprema corte do país. O STF nunca mais será o mesmo e agora está entregue às vontades do PT, com o ministro sucessor na presidência, Ricardo Lewandowski.

Desde que o julgamento dos acusados no caso do «Mensalão» foi concluído, em Novembro do ano passado, o presidente do STF tornou-se alvo de uma série de constrangimentos orquestrados por seguidores dos petistas condenados por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história do Brasil. A população vibrava com a decisão e por ter assistido ou testemunhado a condenação de políticos poderosos em julgamentos por desvio de verbas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O «povão» acreditava que a impunidade iria continuar e que tudo acabaria como sempre terminou: todos em volta de uma mesa tomando cerveja e comendo pizza. Rindo, debochados, mostrando arrogância com as pessoas que os acusaram.

A descrença na Justiça do Brasil é tamanha, que todos acreditam e comentam abertamente que «dinheiro de corrupção não volta nunca» e que os envolvidos nos escândalos nunca seriam condenados. Com esta reviravolta, com várias autoridades do PT condenados e devido a pouca cultura dos adeptos petistas, Joaquim Barbosa ficou na mira e virou um alvo a caçar por militantes. Os ataques anônimos da patrulha virtual do partido do governo, porém, não chegavam a preocupar o presidente do STF até que atingiram um nível inaceitável. Da hostilidade recorrente, o jogo sujo evoluiu para uma onda de atos criminosos, incluindo ameaças de morte e virulentos ataques racistas. Um dos mais violentos e diretos veio do estado do Rio Grande do Norte (RGN) e pedia a morte de Barbosa. Assassinado.

Temendo pela integridade do presidente, a direção do STF acionou a Polícia Federal (PF) para que apurasse a origem das ameaças. A averiguação da polícia e os resultados já colhidos pelos investigadores, revelaram o que parecia mais que evidente. O homem que desejava atentar contra a vida do presidente do Supremo usava um computador de Natal e o codinome de Sérvolo Aimoré-Botocudo de Oliveira. Os agentes federais descobriram que o nome verdadeiro do criminoso é Sérvolo de Oliveira e Silva, um autêntico representante da militância virtual petista, mas que não era um militante qualquer.

Além de admirador de José Dirceu e Delúbio Soares e um incentivador do movimento «Volta, Lula», o cidadão, que alimenta o desejo de ver uma bala na cabeça de Joaquim Barbosa, é secretário de organização do diretório petista de Natal e membro da Comissão de Ética do partido no RGN. Também é conselheiro do vereador petista Fernando Lucena, na Câmara de Natal, e atua como agitador sindical nas greves e movimentos da Central Única dos Trabalhadores no estado. Apesar de ainda exercer oficialmente todas essas funções, Sérvolo sumiu da cidade e o «Botocudo» deixou de escrever. Saiu do ar. Quando passou a ser investigado pela PF, o petista disse a amigos que precisava resolver «questões pessoais» e que iria passar um tempo em Foz do Iguaçu, na divisa do estado do Paraná com o país vizinho da região, o Paraguai.

Todos sabemos que a vida do ser humano não vale nada no Brasil. Um país com a estatística de 150 assassinatos a bala por dia. Sabemos ainda que devido à liderança do PT ter pouca cultura, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem o segundo ciclo completo, seus militantes são grosseiros e agressivos. E também quase analfabetos. Agora ficamos sabendo também, que os adeptos não respeitam autoridade alguma. Acham que estão acima de qualquer punição. Só tem uma coisa que o violento do «Botocudo» ainda não havia percebido: é que o Francisco Barbosa é um defunto muito caro. Para qualquer militante político e de qualquer partido. Muitos brasileiros queriam Barbosa candidato a presidente, nas eleições de Outubro. Mas, ele não aceitou. Afirmou não ter ambições políticas.

José Roberto Tedesco

 

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