A corrupção na política do Brasil não é só no governo federal. Ela está em todo o lado. Começa nas câmaras de vereadores, nos municípios, passando pelas prefeituras, pelas assembleias legislativas e gabinetes dos governos em todos os estados da Nação. Ou seja, os desvios de verbas começam desde lá de baixo e vai subindo. Vai crescendo. Todo político brasileiro é um aproveitador. São pessoas que não trabalham para a sociedade, como se propõem nas eleições, e usam o cargo para conseguir «levar alguma vantagem» financeira, desonestamente, para além do seu salário de funcionário público. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) é uma das casas mais depravadas do país. Também é um local muito utilizado pelo governador do Estado para conseguir aprovar todos os negócios escusos.

Como não existe transportes públicos no Brasil, são coletivos de particulares, cujos proprietários são empresários com ligações aos políticos das cidades ou nas assembleias legislativos. Uma situação que rende aos vereadores ou deputados estaduais um bom dinheiro. Extra. Os políticos aceitam subornos para aumentar, por exemplo, o preço das passagens dos transportes, o que se transformou num grande negócio para as empresas de ônibus municipais, intermunicipais ou estaduais. Falando do Estado do Rio de Janeiro, onde tem uma população estimada em torno dos 18 milhões de habitantes e que 60% deles usam os transportes coletivos, durante 20 dias por mês, os valores assumem uma fortuna diária na arrecadação destas empresas cujas linhas carregam os cidadãos de um lado para o outro das cidades, entre os municípios ou de um Estado para o outro.

São mais de dez milhões de usuários todos os dias. De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Fazendo as contas, são mais de 20 milhões de bilhetes que as empresas arrecadam diariamente. Com preços que variam de três até cinco reais (de 98 cêntimos até 1 euro e 63 cêntimos). É só fazer as contas para perceber a fortuna que circula todos os dias pelas empresas de transportes coletivos. Se passarmos para o Estado de São Paulo ou para a capital, a situação envolve somas astronómicas diárias. O estado paulista tem mais de 43 milhões de habitantes e só na capital circulam, por dia, cerca de 12 milhões de pessoas. Que vão e voltam para casa de ônibus. E também 60% delas usam os transportes coletivos. Para os empresários é um grande negócio conseguir aprovar uma nova linha de circulação rodoviária. É aí que começa a prevaricação e agita o meio político da região. Isso sem comentar nas aprovações de alvarás em construções irregulares.

Dos 70 deputados estaduais eleitos no Rio de Janeiro, pelo menos 23 respondem a processos na Justiça, de acordo com levantamento feito pelo banco de dados da ONG Transparência Brasil. A maioria das ações é por improbidade administrativa, mas há também quem enfrente acusações criminais, como homicídio e formação de quadrilha. Entre os deputados que são réus, estão os três parlamentares mais cotados à Presidência da ALERJ: Paulo Melo, Domingos Brazão e Edson Albertassi, todos do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Melo responde a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público e é réu no Tribunal de Justiça do Rio em um processo de improbidade administrativa contra o Instituto Social Paulo Melo, fundado pelo deputado.

Além disso, o parlamentar foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por utilizar indevidamente o cadastro de contribuintes da prefeitura de Saquarema, cidade praiana que fica a 100 quilometros da capital carioca, para envio de propaganda eleitoral. Também foi denunciada Francine Motta, prefeita da cidade e esposa de Melo, por beneficiar o marido com o acesso ao banco de dados.

Brazão enfrenta ação no Tribunal Regional Eleitoral por compra de votos. Albertassi, por sua vez, responde a uma ação de impugnação de mandato eletivo por corrupção ou fraude movida pelo Ministério Público no Tribunal Superior Eleitoral de 2007. Todos gente muito boa. Como podem constatar, o Brasil, de Norte a Sul, é um país encantador. Onde a corrupção é a palavra de desordem. E a impunidade continua.

José Roberto tedesco

 

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