A Copa do Mundo está prestes a começar no Brasil. E a situação não vai ser nada fácil para as autoridades da FIFA nem do governo. A sete dias do início da prova, os dirigentes da entidade máxima do futebol mundial desembarcaram no Brasil e já se assustaram com as manifestações e protestos. Em São Paulo, a greve dos metroviários prejudicou ainda mais o já congestionado trânsito da cidade, na manhã de quinta-feira da semana passada. Por conta da falta do transporte, os passageiros depredaram a estação de Itaquera, que fica próxima ao estádio onde acontecerá o jogo de abertura. A revolta aconteceu porque o trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que faz conexão com a estação, não parou porque a linha vermelha do Metro estava paralisada. Os passageiros invadiram a plataforma, arrancaram portões e grades e chegaram a andar pelos trilhos.

No Rio, funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (CEDAE) fecharam a Rua Pinheiro Machado, no bairro das Laranjeiras, onde está localizada a sede do governo do Estado. Os manifestantes queriam um encontro com o governador Luiz Pezão. Eles saíram em passeata após decidirem cruzar os braços por 24 horas. Segundo os organizadores, cerca de mil pessoas participaram. E apesar da baixa adesão, os professores e profissionais de ensino do estado e dos municípios mantêm uma paralisação desde o dia 12 de Maio. A greve dos vigilantes do estado do Rio já passou de um mês, prejudicando o serviço de diversas agências bancárias. Os grevistas reivindicam um reajuste salarial de 10%, benefício de refeição de R$ 20 (cerca de seis euros e 50 cêntimos) e mais adicionais de risco de vida e de periculosidade.

Em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, servidores municipais continuam paralisados e usam os caminhões de lixo para bloquear a circulação e retiradas dos resíduos, gerando o acumulo de sacolas cheias de detritos nas calçadas da cidade. O atendimento em hospitais de Curitiba, capital do estado do Paraná, ficou comprometido também a partir da quinta-feira da semana passada, por causa da greve de funcionários de hospitais e instituições de saúde filantrópicas. Segundo o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba, a adesão à greve é de cerca de 40%. O Hospital de Cajuru é o mais prejudicado. Mais ao Sul do Brasil, em Criciúma, a cidade mais populosa ao Sul do estado de Santa Catarina, uma greve nos transportes coletivos já está no quarto dia consecutivo e não há previsão para acabar.

E a greve do Metro em São Paulo pegou em cheio a chegada de alguns dos principais cartolas da FIFA, que tinham acabado de desembarcar na capital paulista para acompanhar os preparativos para a competição. O presidente da Uefa, Michel Platini não escondeu sua surpresa. «Levamos duas horas e meia do aeroporto ao hotel», reclamou o ex-craque francês, que está hospedado no Grand Hyatt São Paulo que é um luxuoso e elegante hotel localizado na Avenida das Nações Unidas, na capital paulista. Quem também não deixou de se queixar foi o vice-presidente da FIFA, Jim Boyce. «Foram três horas gastas no trânsito em nossa chegada», declarou, balançando a cabeça. Jacques Anouma, presidente da Federação de Futebol da Costa do Marfim e membro do Comitê Executivo da FIFA, também era explícito sobre a situação em São Paulo. «Bem-vindo ao país do trânsito complicado», disse.

Enquanto o país demonstra uma total falta de opções para meios para deslocação, devido aos engarrafamentos diários nas ruas ou estradas de acesso às grandes cidades, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de «uma babaquice» (esta expressão no Brasil quer dizer que as pessoas são idiotas, parvas), a preocupação de dar condições de primeiro mundo aos torcedores durante a Copa, como «chegar de Metro dentro dos estádios», porque o brasileiro não tem problemas em «andar a pé». Disse que o povão do país vai até no lombo de um jumento quando quer chegar a um local. O ex-presidente afirmou ainda que a Copa do Mundo será o momento do país «mostrar a sua cara» e que esconder pobre estava fora de cogitação. É impressionante. Não consigo entender como uma pessoa deste nível chegou a presidência do Brasil e é recebido como um grande estadista pelas nações do mundo. Está tudo doido. Na preparação do Brasil para a Copa, um dos principais pontos alertados pelos organizadores era justamente a mobilidade urbana e a capacidade das cidades de acolher milhares de turistas. Para o Lula, eles que andem a pé para assistir aos jogos do Mundial 2014.

José Roberto Tedesco

 

 

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