Empresário de sucesso não se mete em política. Eles não são nada bobos. Não se expõem e conseguem bons negócios com os países. Sabem porquê? Eles compram a dignidade e a boa vontade dos políticos. É igual diretores de clube de futebol que agradam juízes das suas federações para ser simpáticos com sua equipe. Numa nação, a corrupção começa com as doações privadas, verdadeiras fortunas, para financiamento das campanhas eleitorais, e depois, corrompem ainda os administradores públicos para atingir os seus objectivos. Dando margem para afirmar que eles têm interesses nos milionários contratos e não nos projetos públicos. Mas, estas denúncias não têm sensibilizado governantes e legisladores para mudarem este modelo.

No Brasil, os dados oficiais sobre as doações de 2012 estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para algum interessado consultar. E o trabalho do site aponta em que medida muitas das empresas doadoras prestam serviços governamentais no mesmo ano da doação, mesmo em projetos que já estavam em fase de execução, tendo continuidade nessa prestação na administração pública durante os anos subsequentes. Com dados comparativos sobre financiamentos feitos pela iniciativa privada, a partidos e candidatos em 2012, a maioria das empresas que fizeram doações beneficiou em média três partidos ao mesmo tempo. Sendo assim, este negócio é mais seguro que investir em várias combinações no Euromilhões: quantos mais partidos patrocinar mais oportunidades a empresa tem ser bem sucedida.

O TSE mostra que de um total de 55.744 empresas que fizeram contribuições eleitorais, 53.454 doaram para três partidos, 913 preferiram destinar recursos para quatro siglas partidárias e 519, para cinco. Mas houve até quem extrapolou: 294 empresas se destacaram por doar para seis legendas e 119 chegaram a financiar oito numa mesma eleição. Essa conduta prova que é evidente que as empresas não investem em programas de governo, em sintonia com suas crenças e negócios, mas apostam em futuros contratos. E o volume de doações pode ter sido maior, porque muitos grupos da iniciativa privada utilizam várias pessoas jurídicas para fazer as doações, dentro da contabilidade do grupo. Principalmente os escritórios de advocacia, que também são contratados para consultorias diversas em órgãos governativos.

Isso faz com que, algumas vezes, as contribuições não sejam identificadas de imediato como provenientes de determinado grupo empresarial. Dentre as 100 pessoas jurídicas que mais doaram para campanhas nas eleições de 2012, destaca-se a Construtora Andrade Gutierrez, responsável pela distribuição de R$ 81,1 milhões (cerca de 26 milhões e 800 mil euros). As cem maiores financiadoras foram responsáveis pela destinação de R$ 769,1 milhões (cerca de 254 milhões de euros) para campanhas diversas. A centésima da lista, a Construtora Colares Linhares, doou R$ 2,1 milhões (cerca de 700 mil euros).

As dez empresas que mais doaram, depois da Andrade Guiterrez, figuram a Construtora Queiroz Galvão, com R$ 52,1 milhões (cerca de 17 milhões e 200 mil euros), Construtora OAS, com R$ 44 milhões (cerca de 14 milhões e meio de euros), Camargo Correa, com R$ 32,9 milhões (cerca de 10 milhões e 900 mil euros), Vale Fertilizantes, com R$ 30,4 milhões (cerca de 10 milhões e 400 mil euros), E.V.Teixeira, com R$ 28,5 milhões (cerca de nove milhões e meio de euros), Banco BMG, com R$ 24 milhões (cerca de oito milhões de euros), Praiamar Indústria Comércio e Distribuição, com R$ 22,4 milhões (cerca de sete milhões e 400 mil euros), JBS, com R$ 20,2 milhões (cerca de seis milhões e 700 mil euros) e Construtora Norberto Odebrecht, com R$ 19,4 milhões (cerca de seis milhões e 400 mil euros). E a Odebrecht tem ainda uma outra empresa chamada Construtora Norberto Odebrecht Brasil, que ficou em 28º lugar nas doações: R$ 6,09 milhões (cerca de dois milhões e 100 mil euros).

Essas doações partidárias precisam de mais transparência, tanto no Brasil como em qualquer outro país. Acho até legitimo que uma empresa financie ou ajude um candidato ou partido por ele representar seus ideais. Mas muitos doam para dois ou mais partidos. Ainda mais no Brasil, onde existem 32 partidos políticos. É ideologia a mais para o meu gosto. Mas, eu pergunto: que «doutrina de ideias» é essa em que você apoia de um lado e apoia do outro? Só pode ser por interesse económico. O que fica mais transparente ainda é que sabemos ser muito difícil «arrancar» dinheiro destas empresas para instituições de caridade.

José Roberto Tedesco

 

Comentários

comentários