Em tempos socráticos, causou brado a afirmação de um governante que sustentava que a ‘margem Sul’ do Tejo era um deserto. Isto a propósito da localização do ‘novo’ aeroporto de Lisboa, então previsto para a Ota. A verdade, é que o governante em causa acabou por ter de engolir em seco e o dito aeroporto lá foi parar a Alcochete, ‘margem Sul’.

A polémica, todo o ruído gerado em torno da cambalhota acabou sendo inócuo, uma vez que o tempo socrático chegou ao fim e entrou-se no tempo do marcar Passos à retaguarda. A ideia do aeroporto ou de qualquer investimento público é pecaminosa, o Estado não investe, apenas cobra… e reduz despesa.

Vem o intróito a propósito da intenção de S. Bento em fechar mais umas escolas por esse País fora. São só 311, do 1º ciclo do Ensino Básico, e coisa curiosa, o anúncio foi feito a um sábado…Mais curioso ainda, não se dizem quais. O que levanta a questão de saber se dentro em pouco, senão já, não haverá pais que vão matricular os filhos em escolas que vão fechar?!

Por mais que S. Bento venha dizer que a medida é para melhor, que vai ser tudo maravilhas, oxalá, o facto é que vai mexer com a vida de perto de cinco mil crianças, ou famílias. Ou seja, ao reduzir despesa, porque é disso apenas que se trata, S. Bento transfere-a para as famílias.

O mais revoltante deste anúncio de fim-de-semana acaba por nem ser o facto de que mais de três centenas de escolas vão fechar. Esse é um ‘pormenor’, mais um, da crescente desertificação deste País. É que às escolas somam-se as repartições de Finanças, cortadas em 50%, os tribunais, os postos de saúde, tudo isto em cima de uma reforma administrativa que reduziu freguesias e assim distanciou as populações dos serviços e centros de decisão.

Sem que nos apercebamos, o ‘deserto’ cresce, as populações são forçadas a procurar os ‘oásis’, a migrar para onde estão os empregos, os serviços, as finanças, os hospitais. os tribunais… as escolas. Num futuro não muito distante, a este ritmo, Portugal será um imenso deserto, com população reduzida e envelhecida. Pobre país que não cuida de si e dos seus.

Luís Figueiredo

 

 

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