A política que por cá se consome é muito mázinha por vezes, é mais baixa política que política séria e focada nos reais problemas da populaça, mas é o País que temos. Não devemos ser muito exigentes.

O mais recente exemplo dessa política de trazer por casa, é a ‘guerra’ que estalou entre os partidos da coligação governamental e o PS. Em causa estão 3,6 milhões de euros que os socialistas terão a receber das abençoadas subvenções, no caso das autárquicas. Pelo menos é o que sustenta um parecer da Procuradoria-Geral da República, que dá assim razão ao PS num ‘acerto de contas’ relativo às eleições locais. Acontece ainda que os socialistas já receberam, ao abrigo das subvenções, 13,5 mulhões de euros. Chocante! Numa altura de tamanhos sacrifícios, ainda pagamos as campanhas dos partidos, um luxo.

É essencialmente aqui, nesta questão ética e moral, que os partidos da coligação se baseiam para contestar o cheque dos 3,6 milhões aos rivais da oposição. Vai daí, entregaram no Parlamento um projecto de lei para “proceder à interpretação autêntica” do artigo da Lei ao abrigo da qual o PS foi agora contemplado. Como é bom de ver, a ‘interpretação autêntica’ é a da maioria.

Apesar da legitimidade que lhes assiste (aos deputados) e do argumento, pertinente, do exemplo que os partidos devem dar aos demais portugueses numa altura difícil para o País, a verdade é que a manobra política – o projecto de Lei – visa apenas impedir a entrega dos 3,6 milhões ao PS. É uma atitude mesquinha, só porque podem fazê-lo, além de que se trata de um desafio à decisão, ou parecer, emanado da PGR.

E deste modo, com o País com a corda na garganta, eis que os nossos deputados não arranjam nada mais útil para fazer do que tentar impedir que o adversário embolse uns milhões. Moralmente até podem ter toda a razão do Mundo, mas que é um espectáculo triste, é!

Luís Figueiredo

 

 

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