Esta Copa do Mundo disputada no Brasil superou todas as expectativas e serviu para mostrar o quanto um povo é iludido pelos seus governantes para montar um evento destes. E ficou comprovado ainda o quanto a FIFA – Fédération Internationale de Football Association é corrupta, com seus membros aceitando subornos para escolher um local como sede da competição, que acontece de quatro em quatro anos. Além da intromissão nos negócios do país, impondo seus patrocinadores durante a competição, e quando os políticos dos governos, que também são corruptos, aceitam liberar a cobrança de impostos da entidade e ainda constroem estádios com a orientação e intervenção da FIFA. O governo brasileiro do Partido dos Trabalhadores (PT) gastou dos cofres públicos 8 bilhões de reais (cerca de 2 bilhões e 570 milhões de euros) só na construção dos 12 estádios.

Num país que não tem escolas, não tem hospitais, não tem transportes e não tem segurança. E onde os bandidos brasileiros estão melhor equipados que a polícia de segurança pública, e os professores e os médicos recebem salários ridículos para os cargos que ocupam. A entidade de Zurique, na Suíça, movimenta e arrecada verdadeiras fortunas. É só observar seus importantes e eternos parceiros comerciais, que são seis grandes empresas multinacionais, e os patrocinadores oficiais da FIFA World Cup, que são oito, e também poderosas empresas, além dos apoios nacionais que, no Mundial do Brasil, são em número também de oito. Por este motivo, a FIFA fechou o ano de 2013 com ativos de US$ 3,1 bilhões e as receitas foram de US$ 1,3 bilhão. E para onde vai este dinheiro? Para que serve? Joseph Blater, presidente da FIFA, vai usar para a distribuição de US$ 200 milhões em bônus às federações nacionais, como resultado da renda recorde da
Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

«Nunca estivemos tão ricos e tão fortes como agora», declarou Blater, num congresso da entidade, que ocorreu em São Paulo, antes do início da competição. Cada federação nacional de futebol vai receber US$ 700 mil e as confederações sairão do Brasil com mais US$ 7 milhões. Ao anúncio, seguiram-se efusivos aplausos por parte das delegações que lotaram as instalações de um dos luxuosos salões de um hotel Cinco Estrelas da capital paulista. Este valor seria suficiente para construir um estádio de futebol e representa metade de todo o dinheiro que a FIFA não teve de pagar em impostos no Brasil por conta da Copa. Mas cabe ainda a pergunta: porque será que o presidente da entidade vai distribuir tanto dinheiro? Será ele um homem do bem e interessado no desenvolvimento do esporte pelo mundo? É claro que não. Neste mesmo congresso, anunciou que é candidato a reeleição ao órgão máximo do futebol mundial e pediu o apoio de todos.

No plano desportivo, tem sido uma grande decepção. Antigas e poderosas seleções entraram em campo apenas com o seu prestígio histórico, para se imporem, ou usando uma classificação enganadora do ranking mundial da FIFA. Isso para não comentar os grandes jogadores do futebol mundial que não corresponderam ao seu prestígio. Fora as mordidas, entradas violentas e arbitragens ruins. Nos primeiros dias do Mundial, a hospitalidade dos brasileiros foi o mais elogiado pelos turistas, nas 12 cidades-sede, num levantamento feito por repórteres do jornal carioca «O GLOBO», sobre os pontos positivos e negativos da Copa. Problemas como trânsito caótico, transporte público deficiente, falta de infraestrutura nos aeroportos e de informações turísticas na língua dos viajantes, são os mais recorrentes. Mas a hospitalidade do povo brasileiro acabou sendo o verdadeiro «artilheiro» no coração dos visitantes.

Mas já estou preocupado com esta decisão da participação da presidente do Brasil na cerimônia de encerramento da competição: num comunicado oficial, divulgado na semana passada, a FIFA anunciou que a presidente Dilma Rousseff, acompanhada de Joseph Blatter, será a responsável por entregar a taça da Copa do Mundo ao capitão da seleção campeã. A cerimônia a ser realizada no próximo dia 13, no Maracanã, ainda contará com a presença do presidente da confederação do país vencedor e a modelo Gisele Bundchen e o jogador espanhol Puyol levarão a taça até o centro do gramado, onde Dilma entregará o troféu ao capitão da equipe vencedora. É a volta da presidente aos estádios, após ter sido hostilizada na abertura, no último dia 12, no jogo de abertura na Arena Corinthians, entre o Brasil e a Croácia, quando grande parte dos torcedores presentes na partida vaiaram e xingaram a presidente enquanto a bola rolava.

José Roberto Tedesco

 

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