Neste bocejante estio político, com o Governo paralisado à espera do Tribunal Constitucional, o mais ‘palpitante’ da politiquice lusitana ainda é a guerra no PS e, consequentemente, futuro primeiro-ministro…assim pensam eles.

Mas a luta Costa contra Seguro transformou-se numa (tele)novela, com episódios diários, acusações e insinuações de parte a parte, agressões,…um fartar. Como as primárias são só em finais de Setembro, até lá há que ‘simpatizar’, sim porque os socialistas são liberais e deixam os simpatizantes votar nas suas eleições.

Simpático foi sem dúvida o apoio que António Costa recebeu de 25 dos fundadores do PS, o que acontece depois de Mário Soares o ter feito a solo. O candidato Costa agradeceu o “estímulo”, mas a verdade é que os votos deles valem o mesmo que os dos outros militantes e simpatizantes. E isso preocupa os Costistas, que vieram acusar a candidatura adversária de “indícios de fraude eleitoral” e alegada utilização de uma ‘mailing list’ corporativa para ‘comprar’ simpatizantes.

Do outro lado, os Seguristas estão blindados pelos estatutos e regulamentos internos e contra-atacam sempre que podem, contundentes. Agora sugerem que Costa foi aprovado pelos banqueiros, o que não é necessariamente uma má notícia, que o diga Sócrates, e que só prova, em última instância, a promiscuidade das relações entre o poder político e o económico.

E logo Costa volta ao ringue, prometendo lutar pela maioria absoluta. Seguro regista, mas sabe que lhe basta ganhar as primárias para ser primeiro-ministro.

Pelo meio, Seguristas e Costistas trocaram agressões em Braga e sabe-se lá mais onde, Costa foi vaiado por apoiantes de Seguro, o caso foi parar à Justiça e com tudo isto o partido dá uma péssima imagem aos portugueses. É uma fratura exposta, lamentável e dispensável.

A principal acusação dos costistas a Seguro é que nunca foi a votos (popular), falta-lhe experiência política. Seguro tem um percurso ‘académico’ imaculado, mas sem a tarimba exigida para os grandes desafios, alegam.

O problema é que Seguro fez sim senhor a escola toda e blindou a sua direcção e o aparelho do partido. Costa terá muitas dificuldades em vencer as primárias. Enquanto isso, Seguro diz que o apoio à sua candidatira é “crescente” rumo a uma “grande vitória”.

Ou seja, na prática, o PS é um partido literalmente partido, como se percebe, de resto, pela bancada parlamentar, onde grande número de deputados está com Costa. Contudo, mais importante do que saber como acaba a (tele)novela, o facto é que o vencedor das primárias será sempre um líder enfraquecido, um líder da maioria do partido, não de todo o Partido. Nesse capítulo em concreto – e é por aí que se irá decidir muito do sentido do voto nas primárias – Seguro tem mais a perder do que Costa, que por certo saberá capitalizar a mudança. Seguro, p’lo contrário, será mais do mesmo, ele não tem interesse ou qualquer urgência na mudança. Assim se explica porque marcou as primárias para tão tarde. Para ganhar tempo e adiar o inevitável? Aguardemos então pelos próximos capítulos.

Luís Figueiredo

 

 

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