Ainda não há muito aqui se falou da ‘janela de oportunidade’ que se abriu a S. Bento para precipitar eleições antecipadas, aproveitando, por um lado, a divisão que reina na oposição (leia-se PS) e, por outro, escudando-se nos chumbos do Tribunal Constitucional. Esta possibilidade não está posta de lado, de resto, mas o sentido de responsabilidade para com a Nação parece, para já, ter falado mais alto que as tentações politicas.

Mas eis senão quando uma via alternativa, uma nova janela de oportunidade, se desenha para o mesmo fim – eleições antecipadas -, desta vez gisada por um dos parceiros da coligação governamental.

Na verdade, começam a notar-se sinais de que o CDS poderá não estar disposto a ‘segurar’ este Governo por muito mais tempo. Segundo o ministro centrista da Economia, numa entrevista recente, “os portugueses não merecem mais impostos”. O que choca de frente com as também recentes afirmações do líder do Governo, que afirmou, preto no branco, que se o Tribunal Constitucional (TC) não deixar cortar na despesa, então o objectivo (redução do défice) terá de ser atingido pelo lado dos impostos. Para o titular da pasta da Economia, os portugueses não merecem que se lhes faça isso.

Em última instância, a manterem-se estas posições extremadas, e perante a ameaça de novos chumbos do Constitucional e, no caso, a necessidade imperiosa de aumentar impostos (ou criar novos), é de admitir que a corda parta.

Outro sintoma do clima de tensão na coligação, é o facto do CDS ter feito depender a questão de uma eventual coligação eleitoral em 2015 da apresentação do próximo Orçamento de Estado, em Outubro. Só depois admitem discutir tal tema. O que não deixa de ser um sinal claro de que farão depender o apoio ao Orçamento de uma série de condições, quiçá, o não aumento de impostos, o que se afigura impossível de conseguir. Resultado: rutura na coligação e eleições antecipadas. O que não deixa de ser uma mera jogada política, já que o pequeno parceiro da coligação sabe muito bem as linhas com que se cose desde, pelo menos, a revelação do DEO, Documento de Estratégia Orçamental para os próximos anos, em que se anunciam milhões em cortes, que até poderão virar impostos.

Perante este cenário, não há como enganar; as eleições serão antecipadas, o que até terá vantagens para o País, uma vez que as legislativas de 2015 deverão acontecer em Outubro, o que atrasará a entrega do Orçamento de Estado para o ano seguinte. Daí que, ou a coligação atina, ou lá para Maio/Junho estaremos a escolher de novo quem nos vai governar.

 

 

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