Um relatório divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aponta que o Brasil aparece em 8° lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos. Ao todo, o estudo avaliou a situação de 150 países. De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada em Setembro de 2013, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões de analfabetos no país. Além destes, temos os índios da tribo dos Ianomâmis que não estão nem aí para o mundo moderno do homem branco, que invade suas terras, constantemente, para o garimpo de ouro ou diamantes.

Estima-se que existam hoje no mundo pelo menos 5 mil povos indígenas, somando mais de 350 milhões de pessoas. No Brasil, até meados dos anos 70, acreditava-se que o desaparecimento dos povos indígenas seria algo inevitável. Nos anos 80, verificou-se uma tendência de reversão da curva demográfica e, desde então, a população indígena no país tem crescido de forma constante, indicando uma retomada demográfica por parte da maioria desses povos, embora tribos específicas tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. Numa listagem de povos indígenas no Brasil, sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos e das 240 tribos listadas, 49 têm parte de sua população residindo em outros países. Os mais de 240 povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país e estão espalhados por todo o território brasileiro.

Vários desses povos também habitam países vizinhos. No Brasil, a grande maioria das comunidades indígenas vive em terras coletivas, declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo. As chamadas Terras Indígenas (TIs) somam, hoje, 693. Nos estados da Amazônia Legal brasileira a população de pessoas indígenas, conforme o Censo IBGE, é de cerca de 433.363, somando os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão. O reconhecimento das Terras Indígenas por parte do Estado, no processo de demarcação, é um capítulo ainda não encerrado da história brasileira. Muitas delas estão demarcadas e contam com registros em cartórios, outras estão em fase de reconhecimento e há, também, áreas indígenas sem nenhuma regularização. Além disso, diversas TIs estão envolvidas em conflitos e polémicas, por causa das riquezas na região.

Essas são as principais etnias indígenas brasileiras na atualidade e sua população estimada pela FUNAI – Fundação Nacional do Índio: Ticuna (35.000), Guarani (30.000), Caiagangue ou Caigangue (25.000), Macuxi (20.000), Terena (16.000), Guajajara (14.000), Xavante (12.000), Ianomâmi (12.000), Pataxó (9.700), Potiguara (7.700). Os caciques destas tribos, geralmente, moram nas grandes cidades e em residências modernos e, alguns, são até donos de aviões. Os Ianomânis formam a tribo indígena mais atrasada do planeta. Vivem nas suas tabas onde as mulheres são responsáveis por apanhar lenha na mata e cuidar dos filhos e aos homens cabe a tarefa de caçar ou pescar. Dormem em redes ou no chão. E eles não fazem questão de aprender nada de novo. Não se interessam por coisa alguma. O mundo deles é a floresta e rejeitam parecer do Projeto de Lei que pretende regulamentar exploração de minérios em suas terras, localizada no estado de Roraíma, no extremo Norte do Brasil.

E os Napë não têm dado trégua aos Ianomâmis. Nem quando tira ouro de forma ilegal nem agora, quando apresenta um documento para legitimar a atividade garimpeira. Napë é «homem branco» na língua Ianomâmi. Se for inimigo, ganha uma sílaba a mais: Napëpë. E os Napëpë são os garimpeiros que desde os anos 80 vêm invadindo suas terras, contaminando seus rios, destruindo suas florestas e matando sua população por massacre e por doença. Os garimpeiros saem, são retirados, mas retornam. Mas a partir de agora, Nepëpë podem também ser os políticos e as autoridades que querem permitir a entrada de grandes empresas mineradoras em terras demarcadas dos Ianomâmis. A nova face da corrida do ouro, que tanto assombra estes índios, deixou de ser um fantasma, uma ameaça que, embora próxima, não se concretizava. Mas a situação mudou e a legalização dos garimpos é uma situação eminente na região. Uma covardia com esta gente, os legítimos donos destas terras.

José Roberto Tedesco

 

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