Após um longo processo que lhe valeu uma desvalorização tremenda, o BES lá encontrou a paz pretendida. Porém, a escolha dos novos ‘homens fortes’ do banco deu azo a um levantamento da Esquerda, ofendida. O PS pediu uma reunião ao Banco de Portugal, o PC, mais modesto, exigiu apenas esclarecimentos à mesma entidade, e o Bloco acusou o Governo de ter partidarizado o banco.

Na verdade, os nomes escolhidos e já acolhidos pelo Supervisor Banco de Portugal, são como “o Neymar e o Messi”, como um comentador se lhes referiu. De facto, currículo financeiro não lhes falta e até S. Bento já se mostrou agradado com a solução encontrada. Mais; o sacrosanto Mercado aprovou-os desde logo, na última sexta-feira, com as acções do banco a subirem para níveis mais confortáveis assim que foram conhecidos os nomes para a nova gestão.

Daí que o coro da Esquerda não faça muito sentido. Trata-se de uma instituição privada, os accionistas aprovaram, o Supervisor também e, ao contrário da concorrência, recapitalizou-se sem a ajuda do Estado. Nada a opor, portanto. E no caso do PS menos sentido faz ainda, se nos lembrarmos da tentativa de controlo do BCP, em 2009, quando Armando Vara trocou a CGD pelo BCP, dobrando o vencimento. O que nos traz à memória uma frase batida: “quem domina os bancos chega a todo o lado”, do banqueiro Jardim Gonçalves. Ele lá sabe!

Por outro lado, a escolha daqueles gestores e não outros para o BES, vai para além do curriculo financeiro de ambos. Não sejamos ingénuos. Neymar e Messi podem ser bons, e são-no, mas se um árbitro entender, anula-os. Nesse sentido, é como se Neymar e Messi fossem familiares do árbitro, influentes junto de quem decide. E aí sim, na ética, a Esquerda pode reclamar. A mais, um dos novos ‘homens fortes’ do BES deixou o Governo, ou seja, não hesitou em trocar a causa pública pelos privilégios privados.

Contudo, a ética, o fair-play, nunca impediram bons negócios e, na verdade, nem Neymar nem Messi conseguiriam alguma vez familiarizar com o árbitro.

Luís Figueiredo

 

 

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