As ‘primárias’ do PS ainda vêm longe, só no final de Setembro, mas os candidatos já destilam promessas por onde vão passando.

Foi o que aconteceu nos últimos dias, com o actual líder, António José Seguro, a prometer que se for eleito primeiro-ministro repõe “de imediato” as pensões e reformas, e António Costa, candidato a futuro líder, a prometer que a Cultura terá ministério se chegar a S. Bento. E ainda a procissão só vai no adro.

Mas é natural que assim seja. Fazer promessas é a condição ‘sine qua non’ se se tem a ambição de fazer carreira na política; se não souber fazer promessas é melhor mudar de ramo, porque na política não se safa. Acontece, porém, que pela via da entrada em cena dos ‘simpatizantes’, que, se assim o entenderem, poderão escolher o candidato do partido a primeiro-ministro, quer Seguro quer Costa têm forçosamente de simpatizar. Uma missão mais complicada para Costa, como o denuncia o recente apoio recebido por parte de 600 personalidades da Cultura e da Ciência. Só que a grande maioria destas pessoas, não sendo militante do PS, dispensa as ‘primárias’ socialistas e não se irá inscrever..

Seguro por seu lado, está mais à vontade neste capítulo; domina o aparelho do partido pelo que, à partida, só lhe falta fazer charme para conquistar simpatizantes. Da as promessas aos reformados e pensionistas, que são, na verdade, quem decide as eleições.

Deste modo, parece evidente neste arranque de campanha socialista, que Seguro terá a maioria do partido consigo, mas Costa é mais popular fora dele, o que pressupõe estratégias diferenciadas de campanha. Na verdade, Seguro terá de simpatizar mais para fora, o que se afigura complicado face á modéstia dos resultados eleitorais entretanto obtidos, enquanto Costa terá de simpatizar mais para dentro (do PS) e, sobretudo, levar os seus declarados ‘simpatizantes’ a votar nas ‘primárias’. Terá Costa arte para tal?

Luís Figueiredo

 

 

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