Deitada eternamente em berço esplêndido, a seleção brasileira assistiu, inerte, a dois passeios que lhe foram impostos por Alemanha e Holanda, sofrendo inacreditáveis dez gols em dois jogos.

Foi uma despedida melancólica do Brasil numa das Copas mais animadas da história, a segunda sediada pelo país.

Como em 1950, também não venceu, mas a geração de 2014 fez com que uma nova perspectiva se abrisse sobre aquela, de absolvição.

De “vilões” nacionais, o time que perdeu o Mundial em casa para o Uruguai agora é visto como um heroico esquadrão que só sucumbiu por determinação do acaso.

Afinal, ser derrotado é do jogo. Só um pode ganhar.

Principalmente se apenas um for a campo.

Foi o que aconteceu em Belo Horizonte, na semifinal entre Brasil e Alemanha, quando os alemães pareciam jogar contra um adversário invisível.

Fosse uma luta de MMA, o juiz haveria de ter parado o jogo no quarto gol, para que um oponente não matasse o outro, como a Alemanha acabou fazendo conosco naquele já histórico 7 a 1.

O estrago deixou marcas profundas, abrandadas, porém, pelo fair play do adversário, que, sensibilizado com a comoção no estádio, só faltou se ajoelhar para pedir perdão.

A seleção brasileira agora desperta piedade.

É o pior que poderia ter acontecido a ela.

Para a autossustentável Alemanha (e para qualquer um), o melhor seria o título.

Era também uma questão meritória, de justiça, embora o futebol nem sempre premie o melhor.

Vide a escolha de Messi, da vice Argentina, como o melhor da Copa, algo que surpreendeu até o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Gafe só comparável à escolha de Oliver Kahn em 2002, no mais espetacular Mundial de Ronaldo.

O Fenômeno é agora, por sinal, o segundo maior goleador de todas as Copas, ultrapassado que foi por Klose, da campeã Alemanha, disparada a seleção que reúne o maior número de talentos da competição.

É também a mais eficiente, a mais organizada e, disparadamente, a mais simpática.

A Alemanha de apaixonou perdidamente pelo Brasil, especialmente pela pacata Santa Cruz Cabrália (BA), que muitíssimo bem a acolheu.

Retribuíram com carinho, sorrisos e até com doações.

A “Copa das Copas” será sempre assim rotulada muito mais pela Alemanha do que por qualquer outra seleção.

O Mundial do Brasil tornou-se inesquecível para ela.

E, entenda como quiser, também para nós.

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João Marcelo Garcez
Blog do Torcedor

 

 

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