Pela primeira vez, em quase 40 anos que estou em Portugal, Lisboa, tive a oportunidade de fazer o chamado trajecto turístico do Eléctrico 28 – um emblema da cidade e da Carris!

Supostamente, deveria ser um meio de transporte – e, segundo parece, é esta a ideia – visão para o turismo e para os inúmeros turistas que o utilizam. Supostamente.

Talvez tenha tido o azar com o dia e a época. Ou talvez pela época o seu uso deveria ser melhor pensado.

Saiu dos Prazeres já com bastantes pessoas – algumas estavam a fazer o “circuito” – e sem respeitar os horários que estão bem estampados nas paragens. Saiu com um pequeno atraso que não seria apontável se não tivesse chegado a tempo e o Eléctrico não estivesse ainda a fazer o “seu intervalo”.

Depois, na Estrela aconteceu algo que justifica porque alguns funcionários da Carris e seus sindicalistas não querem a privatização ou concessão dos transportes públicos de Lisboa – ou de outras cidades portuguesas –; o guarda-freio (tipo, motorista) tinha acabado a sua “missão” e parecia – parecia – que ia ser substituído (já que se encaminhava um outro para o Eléctrico) mas o que o parecia ser substituto, retornou a ordens da rectaguarda.

Ao contactar via rádio a sua central – bem audível, diga-se e de todos os que bem entendiam português – qual não é a nossa surpresa – e viu-se que o foi – que esperasse porque quem o ia substituir ainda “vinha na Estrela e demorava cerca de 5 (cinco) minutos”!!!

Esperámos mais de 1º minutos ao sol e com crianças de colo dentro do Eléctrico e cheio!!! Inconcebível numa empresa organizada e com pessoal responsável!

Por certo certo que a viagem é interessante – fiz a dos Prazeres ao Martim Moniz, com ideia de retorno; só ideia… Mais valia ter ficado no Largo da Graça e apanhado um que vinha logo atrás e vazio e os que estavam na paragem não encheriam, nem pouco mais ou menos, o veículo…

A realidade começa por haver zonas que são tão estreitas que, incompreensivelmente, as autoridades parecem não ligar a maus estacionamentos obrigando o veículo Eléctrico 28 – e soubesse teria feito um vídeo-celular e colocado no YouTube – a fazer grandes tangentes. E isso foi tanto mais evidente que na zona do Miradouro de Santa Luzia – por onde andava a polícia? – o eléctrico perdeu mais uns minutos porque os veículos particulares e os táxis não respeitavam os sinais nem a eventual prioridade do 28.

Só que o melhor estaria para acontecer no Martin Moniz, términus e início do retorno.

A fila (bicha) para apanhar – é certo que ainda é uma coisa muito pesada – o 28 de volta para os Prazeres, o habitual términus, teria mais de 75! metros e compacta (não era uma a uma pessoa mas famílias em que nem os canídeos ficaram em casa).

O primeiro Eléctrico 28 que apareceu só ia até ao Camões; o segundo, logo de imediato – havia três em fila paradinhos e à espera – era Reservado e o terceiro para os Prazeres.

Ora, do que me recordo e não estarei errado, os Eléctricos têm uma lotação de 20 lugares sentados e, creio, 38 em pé, então estão a vislumbrar quantos terão ficado para trás e em pleno sol estival de Agosto…

Se é uma imagem-emblema da cidade de Lisboa, o Eléctrico 28 deveria ser melhor tratado pelos seus dirigentes. Não dá uma boa imagem perante os turistas.

É evidente, ao contrário do que se passava comigo, que alguns já estavam a par destas pequenas makas, mas outros houveram que entravam no Camões e saíram na paragem seguinte porque não estavam dispostos à enchente que o “28” levava apesar dos contínuos “to back, please” do guarda-freio…

Por outro lado, se matutarmos que um bilhete – e comprado numa espécie de Carris’s shop – custa cerca de 1,25 euros por viagem (mais 0,50 cêntimos para o cartão)…

Como é natural, e porque não posso por razões de saúde estar tanto tempo a pé nem apanhar tanto sol – no início o tempo estava nublado e por isso não trazia boné – acabei por derivar as linhas não para o Eléctrico mas para um alternativo, ou seja, para um machimbombo de volta aos tais Prazeres – que, por acaso, até é uma praça frente a um antigo cemitério de Lisboa…

Mais valia ter ficado na paragem anterior e sempre veria a igreja onde me casei há cerca de 33 anos, a Igreja de Santo Condestável que, por vezes, faz-me recordar – em duplicado – a minha, nossa, igreja de Nª Senhora de Arrábida, na Restinga, Lobito!

Pois, senhores edis da cidade de Lisboa, olhem melhor para os V/ emblemas turísticos e quem os ocupa e visita!

Artigo de Opinião publicado no semanário angolano Novo Jornal, secção “1º Caderno” ed. 343 de 22-Agosto-2014, pág. 22)

Eugénio Costa Almeida, Ph.D (DSSc)
Investigador Universitário/Researcher do CEI (ISCTE-IUL)
http://elcalmeida.net

 

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