TimorHá uns tempos a esta parte Timor –Leste tem aparecido nas notícias associado a indicadores pessimistas, parecendo muitos jornalistas e comentadores propositadamente ignorar grande parte do esforço e trabalho positivo que, nestes 12 anos de democracia tem sido conduzido no País. Uns poucos teimam em o classificar como “um Estado falhado” onde os dólares do Fundo Soberano aumentam regularmente e até mesmo as organizações internacionais insistem em apontar os critérios negativos de avaliação da saúde, do turismo, da pobreza, etc. desvalorizando o potencial do território e o valor das suas gentes. O Governo em particular através do Ministro Agio Pereira internamente, o PM Xanana Gusmão, o ex-Presidente Ramos Horta e o ex-PM Mari Alkatiri na esfera internacional, além de muitos outros ilustres políticos timorenses, têm desmontado estas notícias e com argumentação factual contrariado os dados apresentados, dando a conhecer o outro lado do desenvolvimento que Timor – Leste tem conhecido nestes anos. Quem teve oportunidade de conhecer Timor – Leste após a destruição a que foi sujeito em 1999 e hoje o visita nem precisa de atender a esta opinião dos líderes timorenses, a realidade mostra-se à vista e a diferença pela positiva é abismal. Actualmente há energia eléctrica por todo o território, a rede de comunicações – internet incluída – acessível mesmo nos locais mais remotos, o comércio oferece todos os produtos dos mais necessários aos acessórios, a construção civil altera quase diariamente a arquitectura local – nalguns casos como o moderno Ministério das Finanças até de forma algo questionável – e um ambiente de segurança e comportamento cívico dos timorenses acompanha a sua hospitalidade e simpatia. Numa sociedade ainda com marcas machistas nota-se uma muito expressiva diferença no papel da mulher que hoje ocupa funções na política, nas FDTL, na PNTL, na vida social e cívica sendo até notada a preponderância que Kirsty Sword, esposa do PM Xanana Gusmão e Isabel Ferreira, primeira dama e esposa do PR Taur Matan Ruak ocupam na sociedade civil timorense. O aumento do número de crianças nas escolas e a grande aposta no ensino universitário são factores que fazem crer que o caminho que está a ser trilhado produzirá ainda resultados mais positivos no futuro. Dir-me-ão os mais cépticos que é preciso melhorar significativamente as infra-estruturas rodoviárias, a qualidade dos serviços de saúde, o grau de exigência académica e aprendizagem da língua no ensino, a aposta no turismo, o incremento da agro-industria, a qualificação dos recursos humanos e melhoria da eficiência dos serviços do Estado, a maior oferta de emprego para os jovens, o combate mais agressivo à corrupção, a redução da dependência das importações, etc etc… tudo matérias das quais não vale a pena sequer discordar mas tão só compreender que são reformas e processos que, pese a boa vontade dos governantes e a quantidade de legislação produzida, não se alteram no imediato por decreto e que levam o seu tempo a tornarem-se realidade. Há uma década, nenhum timorense que circulasse de “motor” (motorizada) usava capacete e hoje são em grande número os que o fazem havendo ainda contudo quem teime em levar as crianças nesse meio de transporte sem segurança. Entre os desinformados timorenses de ontem e os descuidados timorenses de hoje a diferença em número cada vez menor é visível, ou seja, muito já se fez e algo há ainda para fazer mas colocar na balança apenas o lado menor é injusto para todos os timorenses (e expatriados) que diariamente procuram construir um País melhor. A mesma dialética se pode aplicar em relação à corrupção que, existindo aqui e ali, desde logo suscita a questão de saber se existe corrupto sem corruptor? Os timorenses hoje, sabem diferenciar do charlatão predador que lhes tenta vender o equipamento para produzir energia a partir das ondas do mar – que não tem ondas para tal – mesmo com a promessa de uns envelopes e da ventoinha para fabricar essas ondas, do empresário sério que não oferecendo comissões transporta consigo o know-how de qualidade, eficácia e eficiência que a sua ainda débil economia necessita em muitas áreas de actividade. Generalizar o fenómeno da corrupção é desprezar o valor de muitos governantes e dirigentes que com sentido de estado e dever cívico procuram as melhores soluções para o seu povo.
Em resumo e na minha modesta opinião, o Plano Estratégico do Governo e os confortáveis OE com que continua a contar apontam para que em mais uma década as diferenças entre cidade e montanha, a assimetria social e as necessidades fundamentais da população em geral estejam cada vez num intervalo mais reduzido e que a qualidade de vida e progresso de Timor – Leste continuem a ser motivo de exemplo positivo no Mundo. Facto inquestionável é de que este pequeno território povoado com tão sofrido povo já conta para as estatísticas mundiais, foi escolhido para dirigir neste mandato os destinos da CPLP e não admirará, ninguém mais esclarecido, se em breve se afirmar também como membro da ASEAN. Negar que há muito ainda por fazer é negar as evidências mas, ignorar o que muito já se fez em 12 anos de vida do primeiro País do Séc XXI é exercício de pura má fé. Parafraseando o meu camarada de armas, de quem me permiti usar para ilustrar este artigo de opinião uma das suas muitas e excelentes fotos que mostram a beleza inigualável destas paragens, diria que, “Timor – Leste sendo uma ilha está preenchido por gente boa e rodeado de um mar de oportunidades. Dêem-lhes tempo!”

 

Fernando Figueiredo

 

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