O texto que a seguir se transcreve foi lido na apresentação, em Lisboa, no passado dia 16 de Outubro, no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) pelo investigador angolano Eugénio Costa Almeida, do CEI-ISCTE-IUL, da obra «Comportamento Eleitoral dos Jovens Angolanos nas Eleições de 2012», editado pelo Centro de Investigação Sol Nascente, do Instituto Superior Politécnico Sol Nascente (ISPSN), do Huambo

De sublinhar a elevada participação na apresentação e o interessante debate que se seguiu à apresentação da obra pelos três autores. (esta parte foi a transcrita pelo jornal da Cultura e foi escrita por razões extra-académicas….)

“Desejo em primeiro lugar saudar a V/ presença bem como o honroso convite que os autores (Professores Mário Pinto de Andrade, David Boio e Mbabula Katúmua) me dirigiram para apresentar esta interessante e oportuna obra que abre um ciclo de publicações científicas que a novel editora do Centro de Investigação Sol Nascente, do Instituto Superior Politécnico Sol Nascente, do Huambo, ora inicia.

A obra apresenta-se bem estruturada, segundo uma sequência lógica previamente delineada pelos autores, de uma forma bem simples, directa, objetiva e sem dubilidades. Numa palavra, clara.

Bons capítulos, uma apresentação e uma Introdução bem direcionadas, excelentes gráficos, boa bibliografia, excelente análise dos partidos políticos angolanos; inclui, ainda, os questionários apresentados aos jovens eleitores bem como uma informação total de 77 partidos nacionais e de 6 coligações de um total de cerca de 180 partidos que existem ou existiram em Angola entre 1992 e 2012.

O estudo está dividido em 5 grandes capítulos, sendo o principal, o IV Capítulo onde se faz a análise total do comportamento dos jovens angolanos nestas últimas eleições e levando em conta uma natural e oportuna comparação com as de 2008 – note-se que os Investigadores decidiram, e muito bem, fazer uma análise comparativa dos 3 grandes actos eleitorais (1992, 2008 e 2012) sendo que o enfoque maior, naturalmente, foi o de 2012. Até por ser aquele que melhor pôde ser acompanhado pelos documentos existentes e por ter sido aquele que permitiu uma melhor análise dos Investigadores.

Apesar do país estar dividido em 18 províncias – depois das palavras de ontem do senhor Presidente José Eduardo dos Santos, por causa das futuras e bem longínquas eleições autárquicas, não sei se não haverá nova divisão administrativa – pelo menos assim o senhor Presidente deixou a entender – os autores decidiram restringir a sua análise 5 das nossas províncias, a saber: Benguela, Bié, Huambo, Kwanza-Norte e Luanda, segundo uma lógica populacional, geográfica e eleitoral.

Como é referido no livro (conforme poderão constatar nas páginas 48 a 52) os rácios eleitorais ali referidos tornam o estudo mais claro e faz-nos compreender melhor as diferentes variantes que têm ocorrido ao longo dos três actos eleitorais.

Não me vou exceder na análise do livro, penso que deverão comprá-lo porque é uma excelente obra para apoio e compreensão sócio-demográfica e eleitoral de Angola e do comportamento dos jovens no actual sistema político nacional.

Estamos numa casa onde isso é bem estudado e melhor analisado. Deste estudo poderão dar as V/ contribuições académicas para futuras eleições em Angola.

Porque como os autores esclarecem há factos que precisam de ser alterados, melhorados, descodificados.

Recordo que a certa altura, nomeadamente quando questionavam sobre questões de relevância nacional, como os problemas sentidos nas eleições, problemas sociais do país, ou questões sócio-políticas, os autores viram-se condicionados pelas elevadas e pouco moralizadoras respostas dadas pelos nossos jovens. A maioria das respostas versavam-se entre o “Não sei”, “Nenhum”, “Outro” e “Não quero responder”. Só uma parte, muito pequena (entre 10% a 15%), apresentaram um facto objectivo referente à questão colocada.

Como referem os autores nas suas conclusões, a maioria dos jovens eleitores angolanos parecem não acreditar muito nas nossas instituições eleitorais (inclui-se a CNE e os partidos políticos) e seguem um pouco as suas convicções religiosas e sócio-demográficas.

Ainda assim, os autores com as análises comparativas entre os 3 grandes actos eleitorais provam que isso não é totalmente verdadeiro.

Para bem compreender a obra há que a ler – mais que ler, estudar – e assim compreender alguns sectores da nossa sociedade política nacional. Sou de opinião que esta é um obra que deveria estar nas cabeceiras dos nossos dirigentes políticos, principalmente, dos mais kotas.

Há alturas que a evidência e a certeza dos dirigentes políticos e dos governantes são surpreendidas pelas alterações de mentalidades dos nossos jovens. Sabe-se que, por natureza, que os jovens são naturalmente mais volúveis nas suas convicções políticas mas não nas suas convicções sociais e geográficas. Talvez por isso são mais legítimos e mais verdadeiros na sua objectividade e nas suas certezas.

Daí, este oportuno estudo!

Obrigado. ”

Eugénio Costa Almeida*
*(Investigador do CEI-ISCTE-IUL e CINAMIL-Academia Militar)
 

Publicado no jornal angolano quinzenal de Artes e Letras, «Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras», edição 71, de 8-21 Dezembro de 2014, página 13

 

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