Pintar a Ideia (toda a pintura chinesa é ideológica)


Um dos novos espaços galerísticos do Porto dá os seus primeiros passos. Depois de Álvaro Siza Vieira (uma série de desenhos lindos), e do francês Hervé Di Rosa (bonecada sem os medos que tolhem os burocratas indigentes da museo-promoção indígena), é a vez de uma exposição de Manuel Casimiro, tocada, uma vez mais, pelo Oriente. Que melhor sentimento numa data que comemora os 600 anos da aventura marítima europeia, iniciada em Ceuta, no longínquo anos de 1415?

TEXTO DO ARTISTA

Pintar a Ideia – 3 momentos :

– Paisagens – o Ecrã
– Jogos
– Para além do olhar – Movimento Invisível

As Paisagens – O Ecrã

Nesta repetição de pinturas de paisagens a evidenciarem a diferença, e uma coalescência onde o presente se associa ao passado e ao futuro.
No Oriente, esta sábia, repetida, mas sempre diferente procura, que perdura ao longo de muitos séculos, privilegia a sensibilidade a harmonia.

Na imagem deste ecrã apesar de por vezes criar a sensação de verossimilhança com a realidade circundante não há a preocupação de imitar o mundo, a natureza, mas antes a de o convocar de um modo sensível, privilegiando a representação de paisagens, onde figuram montanhas (yang) e rios ou lagos, água (yin).

Como muito bem diz o filósofo suíço do século XIX, Frédéric Amiel: “Toda a paisagem é um estado de alma.”

Pintar uma paisagem é revelar a profundidade espiritual e subjectiva. Esta pintura sensível procura um consenso que reúna diferentes pontos de vista e preocupações, que sem se oporem, procuram enriquecer-se neste processo de entendimento acumulativo.

Jogos

Nesta série as pinturas seguem a lógica de obras mais antigas de 1972, 1973, numa espécie de divertidos jogos, jogos inventados pelo pintor, umas vezes absurdos, outras não, que porventura desafiam a lógica do espectador.

Para além do olhar – Movimento Invisível

Nestas pinturas o espaço/tempo adequa-se um ao outro. Aqui o presente não vem depois do passado, ou o inverso, coexiste com ele. Conserva-se a memória do passado no presente que passa, é já futuro. É um plano fixo, mas que conduz ao movimento quando se reinventa no campo próprio do acto de pensar, onde o tempo manipula a própria acção deste. O pintor reflecte a esculpir esta matéria bruta, o tempo no espaço.

Manuel Casimiro, 2014.

Ginkgo Gallery
Manuel Casimiro
17/Janeiro > 7/Março, 2015

António Cerveira Pinto-Chicote 
 

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