Foram detidos mais cinco indivíduos em França (20 de janeiro) por suspeita de conspiração e preparação de atentado terrorista. Os detidos são de nacionalidade tchechena e estavam a ser investigados pelo roubo de explosivos, os quais vieram a ser apreendidos pelas autoridades junto ao estádio de Sauclières em Béziers, desconhecendo-se qual seria o alvo real.

Este novo sucesso policial ao combate a células terroristas em território europeu revela bem da importância que tem o tratamento de informação e consequente investigação relativamente ao denominado “crime instrumental” ou seja o conjunto de ilícitos que são preparatórios de crimes de dimensão maior. Nessa categoria se englobam por exemplo a falsificação de documentos permitindo que se circule impunemente, o furto de veículos para se deslocarem e/ou armadilharem ou a prática de assaltos como forma de financiarem atentados. Recorde-se que os autores dos atentados de Madrid, o 11-M, estavam todos indiciados por “crimes instrumentais” sendo que os serviços de informações espanhóis nunca valoraram tal facto. Por tal facto a noticia da detenção do comando tchecheno é de capital importância por revelar que se estão a levar em conta as “lições aprendidas”.

Mas esta não é única novidade de relevo na prevenção e repressão do fenómeno terrorista jihadista. Desde o ataque ao Charlie Hebdo, tem-se sucedido as notícias de detenções em solo europeu de fundamentalistas islâmicos, revelando o trabalho de inteligence e empenhamento das forças policiais, o que se constitui uma nova fase na luta contra o terrorismo. Até aqui a política de comunicação das forças e serviços de segurança pautava-se pela discrição. Os seus sucessos ficavam no segredo dos gabinetes, numa perspetiva de que se a sociedade não soubesse não se sentiria ameaçada.

Atualmente e em resposta ao impacto mediático dos atos perpetrados pelos terroristas, os quais abalam profundamente a confiança da população no seio da “velha europa”, assistimos a uma relevante inversão do paradigma, as detenções de suspeitos e o desmembramento de células terroristas passam a constituir notícia, competindo com os actos terroristas pelo prime time dos telejornais, transmitindo a mensagem de que o Estado de Direito funciona e que está capacitado para garantir a segurança dos cidadãos e das instituições.

O combate ao terrorismo tem vindo a sofrer enormes avanços, adequando a resposta à escalada da violência e à tecnicidade dos meios, envolvendo medidas de prevenção e defesa, de treino especializado e de educação popular. Esperemos que esta opção pela mediatização da atuação não conduza a uma escalada da violência, numa disputa pela liderança de audiências.

António Inácio

 

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