By Luís Alves de Fraga

Discutem-se, agora, algumas alterações relativas ao acesso ao ensino superior, fazendo deste assunto uma questão quase menor, quando, realmente, é de elevadíssima importância para o futuro de Portugal e do progresso do Saber no nosso País.

O erro básico que se gerou há mais de trinta anos foi o da definição das limitações de acesso às universidades. Numa primeira fase, teve razão de ser, porque as estruturas e infra-estruturas públicas não tinham capacidade para suportar a corrida que, quase sem contenção, se deu ao ensino superior nos anos oitenta do século passado. Todavia, numa segunda fase, o Estado errou por falta de visão estratégica do futuro. Expliquemo-nos.

Isto de habilitar estudantes com licenciaturas não pode ser o mesmo que preparar atletas de alta competição! Quando se quer descobrir um que garanta sucessos desportivos tem de se generalizar a prática a uma massa gigantesca para encontrar esse vencedor por excelência. Mas o investimento que se faz neste tipo de busca é bastante reduzido. O Estado, através do dinheiro dos contribuintes, não tem meios financeiros para gastar com uma enorme massa de estudantes para “descobrir” os “génios” do futuro!

Assim, teria de ter montado um sistema que fosse altamente selectivo para só permitir a entrada nas universidades aos alunos que dessem garantias de elevado sucesso e, a esses, fornecia-lhes bolsas de estudo – se não tivessem meios para os custear – de modo a levá-los até onde pudessem ir intelectualmente. Era com esses que assumia um compromisso!

Um sistema público montado nestes princípios não ia gerar excessos de licenciados, mestres e doutores, porque rentabilizaria os gastos orçamentais. E, tal como se abriam cursos onde houvesse carência de profissionais de alto gabarito, também, quando eles fossem em excesso, se encerravam os mesmos. Isto seria um sistema educativo planificado para evitar o desperdício.

Uma tal gestão poderia conviver com universidades privadas que seriam frequentadas por todos aqueles que, tendo disponibilidades financeiras, as quisessem frequentar. No entanto, o Estado não deveria alienar a sua capacidade de proibir a existência de cursos cujo mercado já estivesse saturado com licenciados na área respectiva.

Democracia na educação e no acesso ao ensino não corresponde a anarquia, caos e liberdade para cada um fazer o que deseja!

É porque nada disto foi estabelecido que as farmácias, local onde se vende a retalho os produtos dos laboratórios onde se faz – ou devia fazer – investigação de ponta estão cheias de licenciados, cujo destino deveria ser o da indústria e o da pesquisa, que mais não são, afinal, do que balconistas com igual valor prático ao dos velhos técnicos boticários! Tanto investimento para se acabar desqualificado a vender pílulas ao desbarato!

Portugal é um país pobre?! Não! Portugal é um país mal governado e muito desgovernado! Não aprendemos lições com os Estados ricos onde as finanças públicas são geridas como se se vivesse em miséria!

Blogue do autor: FIO DE PRUMO – Luís Fraga

 

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