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Dentro de menos de uma semana, a convite do Colégio de Defesa da NATO, vou a Roma proferir uma palestra sobre as questões de segurança na América Latina. Por uma curiosa coincidência, passei estes últimos quatro dias em outras tantas cidades deste subcontinente. Por mais curtas que sejam estas experiências, mas se estivermos bem atentos, conseguimos sempre extrair destes contactos, em especial das conversas que aqui ou ali vamos tendo, elementos úteis que nos ajudam a refletir sobre as perceções que temos sobre esta muito complexa realidade.
Há quatro temas que, em permanência, vêm ao de cima neste tipo de conversas. 
Desde logo, a perspetiva sobre os diferentes modelos democráticos da região e o modo como se comportam no enquadramento de realidades históricas, económicas e sociais muito diferentes. É muito curioso observar, nos dias que correm, o modo como estão na agenda das conversas as disfuncionalidades do modelo político brasileiro, a quase exaustão do formato venezuelano e a curiosidade que rodeia o modo como o sistema argentino vai enquadrar as novas realidades emergentes na Casa Rosada de Buenos Aires.
Um segundo tema é, como não podia deixar de ser, o “parceiro” permanente de todo o subcontinente: os EUA. O “amigo americano”, por muito “amigo da onça” que seja para alguns, é um dado incontornável neste puzzle. Por essa razão, não é por aqui indiferente se Trump se afirma como candidato republicano e são naturalmente lidos com muita atenção todos os sinais que permitam antecipar atitudes de uma possível administração Clinton.
A segurança, por estas áreas, tem menos a ver com o papel (relativo) da América Latina nos grandes equilíbrios mundiais – não há por aqui armas nucleares ou de destruição maciça, nem conflitos potenciais à vista – e muito mais nos riscos em matéria de “segurança humana” decorrentes das grandes desigualdades, da pobreza e das tensões sociais. Mesmo o tráfico de droga terá já descido uns furos nessa agenda de preocupações.
Finalmente, a crise económica mundial, o papel dos emergentes e a ordem institucional que a enquadra no plano multilateral está muito presente nas conversas. Por onde vamos? Que futuro para os intercâmbios comerciais com a Europa? Que trará a parceira transatlântica, se vier a ter “pernas para andar”, a uma América Latina polarizada por uma promissora Aliança do Pacífico e um Mercosul que parece imitar o triste destino do “ciclo de Doha” da OMC?
 

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