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Mário Soares foi ontem a sepultar em Lisboa.
Nestas ocasiões é de bom tom fazer o elogio público do falecido, recorrer ao discurso laudatório, ao panegírico, para louvar a pessoa falecida.
Não é essa a minha maneira de ser, não é esse o meu procedimento, não será isso que Mário Soares merece, não seria isso que certamente quereria.
Mário Soares não merece nem o elogio falso e hipócrita, nem o insulto  vil e torpe.
Homem polémico, como o são todas as figuras públicas marcantes, goste-se da pessoa em causa ou não, Mário Soares terá o seu nome inevitavelmente ligado à História de Portugal dos últimos quarenta anos.
Nunca votei em Mário Soares, nunca votei no Partido que Mário Soares fundou, reconheço no seu percurso de vida, e no seu percurso político, muitos méritos e muitos erros.
Pura e simplesmente porque Mário Soares era humano.
E, como qualquer ser humano, fez coisas muito acertadas mas também cometeu muitos erros.
Não se santifique a pessoa, algo que ele próprio nunca procurou, nem se diabolize a figura e o seu legado.
Saibamos ter o distanciamento suficiente para tentar perceber os seus méritos e os seus defeitos.
Tendo a certeza que se deve a Mário Soares, e a outros como ele, a possibilidade de fazer esse juízo em liberdade, publicamente, sem receio de perseguições, de juízos incriminatórios sumários.
Não esquecendo os erros que cometeu, também não esqueço que, mesmo nesta Macau onde vivo, posso exprimir livremente as minhas opiniões em grande parte graças à acção política de Mário Soares e de outros que com ele sempre souberam elevar a liberdade de pensamento e opinião a valor supremo.
Que repouse em paz.

 

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